PARIDADE CAMBIAL
Paridade cambial é a relação de poder aquisitivo entre moedas de distintos países. A moeda traduz uma relação de forças de mercado, onde cada mercadoria tem seu valor cotado. O preço, decorrente em grande parte do valor, expressará a competitividade de uma mercadoria. O valor de uma mercadoria decorre, por sua vez, do tempo social médio do gasto indiferenciado de energia humana que concorre para sua elaboração.
Mercadorias similares podem ter custos de produção desiguais, em razão do tempo médio social necessário para produzi-las. As horas necessárias para se produzir uma mercadoria dependerá basicamente da estrutura do processo da produção, isto é, o grau de desenvolvimento do conjunto das técnicas, da organização do trabalho etc. Abaixo, exemplo de cálculo para estimativa de competitividade de uma mercadoria, entre concorrentes, avaliada pelo critério do tempo social médio (semanal, no exemplo) gasto para produzi-la.
Costureiras camisas totais/semanais unid/hora total/horas
20 14 280 2,86 800
30 10 300 4,00 1200
45 08 360 5,00 1800
Totais 95 32 940 - 3800
Tempo médio socialmente necessário para a produção de 940 camisas: 4,04 h (3800/940). Onde houver maior produtividade, em função da otimização do trabalho, o custo tenderá a se reduzir, contribuindo para a queda dos preços das mercadorias. Aquele que produzir abaixo do tempo médio, como no primeiro exemplo acima, estará ganhando em produtividade, reduzindo custos, e podendo faturar mais, ou baixar os preços de suas mercadorias, para desalojar concorrentes.
Quanto ao critério para o estabelecimento de uma paridade cambial de uma moeda, em relação as demais, entendemos que se deve levar em conta os preços de uma cesta de produtos similares entre, por exemplo, o Brasil e demais países que tenham representatividade em sua pauta das exportações.
Como conhecer os preços dos similares estrangeiros? Uma forma rápida é levantar pela SECEX as importações, considerados os preços FOB desses produtos, e cotejá-los com os preços FOB dos similares nacionais. Outra alternativa seria solicitar cotações, no mercado internacional, de uma cesta significativa de produtos similares aos nossos. Para se chegar a um valor médio, os preços levantados serão ponderados pela participação relativa de cada país na pauta de nossas exportações.
Há também um meio simplificado de verificar se a paridade cambial de uma moeda é razoável, ou não. Basta avaliar as oscilações do saldo da balança comercial. Se for positivo, ou no mínimo zero, a paridade reflete competitividade de nossas exportações.
A partir de uma relação favorável de preços dos nossos produtos exportáveis, estabelecer a cotação da moeda, que pode ser uma relação um por um, ou mais de um por um, conforme o caso.
Como atualizar a cotação da moeda: cotejar nossa inflação com a inflação daqueles países dos quais tomamos como parâmetro a cesta de produtos similares. Em seguida, transformar as variações percentuais da inflação em nos. Índices (para tanto, basta acrescentar ao percentual o valor 100) e dividir nossa inflação pela inflação de cada país, ponderando os resultados pelo peso ou magnitude relativa de cada país em nossa pauta de exportações. Aplicar o resultado final do cálculo aritmético na cotação da nossa moeda, elevando ou diminuindo o valor, anteriormente estabelecido.
Exemplo: inflações e pesos de cada país: USA, 3% (30%); Japão, 4% (30%); U.E, 5% (40%); Brasil, 10%. Então, (110/103 x 0,3) + (110/104 x 0,3) + (110/105 x 0,4) = 5,67%. Se a cotação anterior era de R$ 2,90 por US$ 1,00, passaria, agora, para R$ 3,06 por $ 1,00 (1,0567 x 2,90 = 3,06).
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