FORMOSA DE MINHA INFÂNCIA
Como era bela a Formosa de minha infância! Ou seria a infância a etapa mais bela da nossa existência? Sinceramente, não sei! Sei apenas que ela tinha mais verde em suas matas, mais peixes em suas águas. Incontáveis piracemas, ao longo dos anos, matrinchãs, dourados, cachareis, piaus, pacus, mandis, surubins e outros peixinhos subindo o rio para a desova. O rio transbordando, várzea totalmente cheia, e as aves aquáticas. Quanta vida e beleza!
OS MITOS E OUTROS MEDOS
Não podíamos ir muito longe, pois tínhamos medo do Nego-d´água. E, aqui, cito algumas curiosidades que somente mais tarde pude compreender seu real significado:
I) Nego-d´água era um mito de proteção. O medo impedia que nos afastássemos das margens do rio e também não entrasse mata-a-dentro, pondo em perigo nossas vidas.
II) Quem mata urubu tem sete anos de azar. O urubu, na realidade, era o lixeiro da cidade. Quantos animais que morriam na várzea ou nos arredores da cidade, carcaças apodrecidas que poderiam transmitir doenças.
III) Faz mal a saúde chupar caju antes da primeira chuva. A primeira chuva caia, geralmente, a partir da segunda quinzena de setembro, tempo em que os cajus estavam realmente maduros e, assim, não só os meninos mais apressados poderiam saboreá-los. Os cajueiros eram nativos, ao longo do rio, hoje totalmente extintos. Com relação aos mitos, sabemos, hoje, quanta sabedoria encerravam!
Havia ainda outros medos e crenças: o rasga-mortalha (suindara), por exemplo. Na verdade, tratava-se do nosso caburé, ave noturna de olhar enigmático que caçava morcegos, à noite, na igrejinha da cidade, e o seu canto ou grito era assustador, significando mau presságio para as pessoas. ... O rasga-mortalha tesourava a noite com os seus grasnados agourentos e lúgubres... (O Anel de Brilhantes e outras Estórias).
Outra ave de canto agourento era a Acauã, e como nos lembra o poeta maranhense: tristonhos pios a Acauã desata, quando ao guerreiro prognostica males...
chamar o vento assobiando era uma crença infantil que usávamos para empinar pipas, quadros e papagaios, nas tardes de calmaria.
RELAÇÕES SOCIAIS E VIDA CULTURAL
Formosa dos velhos tempos era praticamente uma vila com poucas ruas e sua população urbana não alcançava mil pessoas. A vila pouco mudou entre os anos 1940 e 1960. Segundo lembranças de minha irmã, Clélia, a vila tinha apenas uma "Rua Grande", (hoje Avenida Matriz), e mais 6 pequenas ruas: Rua Beira do Rio, Rua da Ladeira, Rua Domingos Almeida, Rua do Cruzeiro, Rua da Travessa, Rua do Egito e uma praça da Igreja do Padroeiro Sagrado Coração de Jesus. Circundada com roças de pastagens e matas de cajueiros, pequizeiros, araticum e muricis; frutos muito apreciados por todos. O comércio tinha 5 lojas, 2 armazéns (sendo um do meu saudoso pai), 2 bodegas, 1 livraria, 1 açougue, 1 padaria, 1 alambique (de três velhas moças), 1 curtume, 1 usina beneficiadora de arroz. 1 escola particular e uma pública de ensino primário, também um colégio particular (Ateneu 2 de Julho), com ensino igual ao ginasial de hoje, onde estudei. O Teatro São Roque, com apresentações: drama, comédias, canções, bailados e declamações. Sob a direção do saudoso Jorge Correia e dona Zélia com a sua flauta.
Todos se conheciam, mas já havia certa estratificação social, o que era observado quando alguém promovia uma festa e os convites eram distribuídos seletivamente. Havia, contudo, Dona Yayá, na Rua da Matriz, que não discriminava ninguém. Lá, todos provavam os deliciosos licores de caju, jenipapo, e saboreavam os biscoitos avoador, os ginetes, as pubas etc. Por falar em bolos, descobrimos a receita do bolo de arroz de d. Marota e Maria-de-Salu.
RECEITA DO BOLO DE ARROZ
Após descascar o arroz no pilão, deixa-o de molho para hidratá-lo para depois moê-lo, isto é, pulverizá-lo. Em seguida, raspa-se um pouco de rapadura para fazer o caldeamento em água de fervura. A massa, então, deve ser escaldada, acrescentando-se a ela pitadas de sal e um pouco de fermento. Ato contínuo, a massa é batida ou mexida e remexida com colher de pau numa gamela. Opcionalmente, pode-se acrescentar ovo batido e misturado à massa. Em seguida, cobre-se a vasilha com um pano, deixando a massa descansar. Horas depois, untam-se as formas com banha de porco, antes de serem preenchidas e levadas ao forno.
Como preparar o fermento: Mistura-se um pouco da massa de arroz com a calda da rapadura e algumas pitadas de bicarbonato. Cobre-se a vasilha com pano, deixando-a de um dia para outro. O resultado desse processo é o fermento para o bolo de arroz.
Voltando às relações sociais: Havia, naqueles tempos, alguns mecanismos para estender ou reafirmar laços de amizade, na Vila, o que era observado durante os folguedos de São João, ocasião para celebrar o compadrio. Um par de pessoas saltava sobre uma fogueira, enquanto repetia palavras ritualísticas que selavam a relação do compadrio. Dali para frente, eles seriam compadres ou comadres.
A vida cultural da vila Formosa se resumia em poucos eventos. As raras visitas de circos mambembes e o cinema errante de Nelson Paletot. Lembro-me que fiquei apaixonado pela trapezista Jerusa, por ocasião de uma apresentação circense, tinha, então, meus doze anos de idade.
Outro veiculo de transmissão cultural era o rádio de Jorge Correia, movido à bateria de caminhão. Lá ouvíamos A Voz do Brasil e acompanhávamos a novela O Direito de Nascer, radionovela cubana escrita na década de 40 por Felix Caignet e irradiada pela rádio Nacional do RJ e imortalizada pela interpretação magistral do grande ator Paulo Gracindo. Noite após noite ouvíamos a novela, e o fato é que ela parecia não terminar nunca (1951-53). Ainda me lembro do fundo musical: Rapsódia sobre um tema de Paganini, em lá menor, opus 43, executada, pela primeira vez, nos Estados Unidos, pelo próprio compositor, o russo Rachmaninof, em 07/11/1934. Essa rapsódia foi, também, fundo musical do filme: Em Algum Lugar do Passado – Somewhere In Time, de 1980. Ainda hoje cantarolo um trecho daquela belíssima melodia.
Outros meios culturais da vila: o Teatro São Roque, fundado e dirigido por Jorge Correia. Lá foram ensaiadas poucas peças, porém um marco cultural da vila.
O CIRCULISMO LITERÁRIO
Havia a livraria de Anísio Mendes. Os livros passavam, então, de mão em mão, pois nem todos podiam comprá-los. Assim, dona Amazília passava o livro para dona Moreninha que o repassava para dona Joia etc. Entre os romances, lembro-me de um deles: Éramos Seis, autoria de Maria José Dupré, publicado em 1943.
Morando em S. Paulo, desde quatorze anos e meio de idade, sempre que passo pela Avenida Angélica, ou pela frente de um teatro, lembro-me das respectivas personagens do romance Éramos Seis e da radionovela O Direito de Nascer.
OS ENCONTROS MUSICAIS
Ocorriam com frequência, verdadeiros saraus com música e poesia. Lá estavam mestre Edgar e seu violão; D. Belinha e Elena com bandolim; Benivaldo na flauta; Edmundo no saxofone; João de Pedra na clarineta. E isso só para citar os mais conhecidos. E as belas moças cantoras da família Landim!
O ARTESANATO
No âmbito da cultura, vale ressaltar ainda o artesanato urbano e rural da vila. No núcleo urbano, os alfaiates que se diziam artistas; os marceneiros; sapateiros; pedreiros; oleiros. Era esse pessoal que mantinha funcionando uma parte da infraestrutura da vila, cabendo às parteiras e aos ervanários os serviços de saúde. Na zona rural, havia as fiandeiras que trabalhavam com roca e fuso e tear produzindo tecidos de algodão cru e confeccionando calças e camisas para os membros da família.
O AJOUJO
A travessia do rio Preto se viabilizava por meio de canoas, até Casemiro, nosso grande marceneiro, idealizar o ajoujo, nos idos da década de 1940. O ajoujo era uma embarcação formada por um tablado, ladeado por grades, e fixado em canoas cativas. As extremidades das canoas ficavam presas por cordas enlaçadas em argolas que se deslizavam ao longo de um cabo de aço estendido sobre o rio. A correnteza, o fluxo do rio, movimentava o ajoujo pelo encurtamento alternado das cordas de cada extremidade da embarcação. E, assim, foram substituídas as velhas canoas que tanto marcaram a paisagem rio-pretense.
ESTRUTURA DA PRODUÇÃO RURAL
A atividade econômica das veredas consistia, basicamente, numa economia de subsistência, sobrando muito pouco para o mercado da vila. Cultivavam, basicamente, arroz, milho, feijão, mandioca, abóbora, maxixe, melancia, abacaxi, laranja, cana-de-açúcar, algodão, cabaça para as cuias e cantis, e a mamona para o azeite dos candeeiros. Não consumíamos verduras, exceção do coentro (cheiro verde), cebolinha; havia as pimentas. Além da atividade agrícola, criavam pequenos rebanhos bovinos, caprinos, ovinos, equinos, asininos e muares, além do galináceo.
Uma característica das atividades pré-capitalistas é o lentíssimo desenvolvimento das forças produtivas. Os nossos veredeiros não usavam insumos agrícolas, nem irrigação, desconhecendo, ainda, o uso do arado, instrumento de trabalho usado pelos egípcios há mais de cinco mil anos. Usavam basicamente a enxada, foice, cavador, pá, facão, serrote e machado, decorrendo, desse conjunto de fatores, a baixa produtividade da atividade agrícola. Eles também desconheciam as charretes que já eram usadas pelos antigos romanos.
A produção agrícola dependia em muitos casos de parcelas de trabalho dos agregados, pessoas que moravam nas terras do proprietário e ajudavam no cultivo dos campos e criação de animais. Era difícil remunerá-los em moeda corrente, pois tratava-se ainda de uma produção basicamente artesanal, assemelhado à etapa da manufatura; o trabalho era pago quase sempre em espécie, isto é, parte da produção e colheita direcionava-se aos agregados. Lembro-me que era costume pagarmos ao vaqueiro, que cuidava do gado, com um quarto de cada bezerro nascido e, assim, a cada quatro nascimentos, ele herdava uma vaca ou touro.
Segundo lembranças de minha irmã, Clélia, os agregados tinham direitos à caça do mato, mel de abelhas, frutas nativas, e uma tarefa de terra, onde plantavam para o sustento de suas famílias: mandioca, milho, feijão miúdo, melancia e abóbora; mamona para fazer o azeite para iluminação, algodão para fiar no tear da fazenda e tecer os cobertores e tecidos para as roupas de trabalho; fumo de corda, para consumo e venda. Na colheita dos patrões, eles ganhavam por porcentagem: arroz, milho, feijão, rapadura, farinha e tapioca. Tinham direito de criar galinhas e um casal de porcos. Viviam do que produziam; a caça e a pesca também completavam suas receitas alimentares. Com uma espingardinha abatiam paca, cotia, veado, jacu, codorna, marreco e outros animais e aves; colhiam frutas nativas como goiaba, manga, macaúba, jenipapo etc. só compravam o sal e o café. O povo era alegre, só sentia tristeza quando falecia uma pessoa por falta de assistência médica.
Seus abrigos consistiam-se de um casebre de taipas sem reboco, cobertura de palhas, sala-cozinha e porteiras semelhantes àquelas de curral; os quartos não tinham portas de madeira; usavam esteiras de palha como cortinas; camas de vara com colchões recheados com palhas secas de bananeiras; cabides de chifre de veado galheiro; utensílios de barro; tamboretes de couro; jiraus de varas. À noite acendiam uma fogueira para se aquecerem do frio e afugentar pequenos animais. Tinham gato e cachorro como vigias. As doenças eram raras; curavam com chás de ervas, cascas e sementes de algumas árvores; fora os acidentes, as pessoas duravam um século.
Algumas mulheres lavavam roupa e botavam água (lata d'água na cabeça) para algumas famílias da vila e recebiam em troca farinha, arroz e feijão como pagamento.
Como disse, uma amiga, Idália: “tudo era muito simples, sem luxo, ostentação ou qualquer coisa do gênero, aliás, compatível com as condições socioeconômicas da pequena vila, de traços herdados da era colonial e posicionada nas franjas da economia agroexportadora, até então dominante no país”.
A PRODUÇÃO DA FARINHA E DA TAPIOCA
O processo de preparação artesanal da farinha e da tapioca era interessante, a par de exigir muito dispêndio de força humana. As mulheres descascavam as raízes, os homens movimentavam a bulandeira, enquanto outros ralavam. A massa era, então, semilavada, extraindo-se, por um processo de decantação, a tapioca. Em seguida, a massa semilavada enchia os tapitis para secar por meio de um processo de escorrimento. A última etapa consistia no cozimento da massa sobre uma chapa de pedra calcária, em forno a lenha. A massa era então mexida e remexida por um rodo até sua preparação final, ou seja, a farinha.
A MOAGEM
A fabricação da rapadura cumpria as seguintes etapas: a cana cortada e limpa era empilhada na manjedoura, próxima ao engenho, para então ser apanhada e introduzida nas moendas. E nas palavras do poeta piauiense, bois tardos, velhos e sonolentos, sob o sol ardente ou à luz fria do luar iam, lentamente, triturando a cana, enquanto rangia rouquenha a rígida moenda... A garapa assim extraída era levada aos enormes caldeirões assentados em forno a lenha.
Enquanto a garapa fervia, moças com enormes cuias vazadas em pequenos orifícios e presas a cabos de metro e meio tiravam as impurezas dos enormes caldeirões. À medida que o caldo engrossava, passava-se para tachos de cobre até que o cozimento atingisse a consistência do melado. Cumprida esta etapa, o melado deveria ser batido com colher de pau em gamelas ou cochos para, finalmente, preencher as respectivas formas da rapadura.
A rapadura com gengibre era também muito apreciada. Neste caso, o melaço misturado com gengibre era batido mais demoradamente, resultando em uma rapadura bastante alva, cristalina, menos dura e muito saborosa.
A importância da farinha, da tapioca e da rapadura na vida da comunidade era essencial. Quem viveria sem o café-com-leite da manhã com beiju de tapioca, ou o cuscuz de milho novo? Além de muito sustento, uma maneira de compensar o baixo consumo de proteína animal.
AS FRUTAS NATIVAS
Havia, na minha época, muitas frutas nativas. Em períodos de escassez de alimento, buscávamos o pequi, o bruto (araticum), o jatobá, a pitomba, o jenipapo, o maracujá, o bacuperi, a goiaba, o murici, o caju, o buriti, a coronha, a marmelada, o juá, a laranjinha, o criouli, o grão-de-galo, o joãosoares, o araçá, o coco piaçava, a macaúba, o puçá, a cagaita, a mangaba e tantas outras frutinhas silvestres. Com a queima do cerrado e o desmatamento avassalador dos campos e vazantes e orlas fluviais, essas dádivas da natureza se perderam para sempre, foram extintas. Por não saber preservar o meio-ambiente, a população formosense contraiu uma grande dívida com a humanidade!
A Pescaria não era uma prática comum na vila, apesar da abundância de peixes no rio Preto. Acho que não gostávamos muito do pescado, assim como não valorizávamos o cultivo de verduras.
MEIOS MONETÁRIOS CIRCULANTES
Apesar de o Cruzeiro ter sido estabelecido como padrão monetário, em 1942, a antiga moeda, o Real, (subdividida em quinhentos reis, cruzados, tostões e vinténs) circulou ainda por muito tempo. Dada, entretanto, à escassez do vil metal, algumas fichas com valor predeterminado eram aceitas em lugar da moeda. Por esse tempo, lembro-me de alguns lampiões de gás em poucas esquinas da vila. Não me recordo, entretanto, quando eles foram desativados.
OS INOVADORES
Pompílio Mendes, comerciante e fazendeiro, vez por outra, trazia da capital algumas novidades para a vila. Certa vez trouxe alguns pavões, ave desconhecida na região. Esse cidadão era também um empreendedor, surpreendendo a vila com a fabricação de uma enorme barca.
O VAPOR JANSEN MELO
O vapor Jansen Melo singrava o rio Preto, mensalmente. O rio Preto era, na época, a principal via de comunicação comercial com outras cidades do estado. O Jansen trazia café, sal, açúcar, querosene, bolacha, tecidos etc. e levava alguns poucos produtos, notadamente cereais, peles de animais, bolas de maniçoba, um produto do Ciclo da Borracha, cuja importância econômica declinou a partir da primeira década do século XX.
Os marinheiros do Jansen Melo movimentavam os negócios da vila. Havia os leilões, à noite, em praça pública, onde eram arrematados frangos e perus recheados, e outros brindes. Havia ainda disputa de futebol entre os visitantes e o time local, no campinho junto à beira do rio. Enfim, era uma festa. E quando o vapor partia, era aquela saudade!
A navegação fluvial e outros meios de transporte, exemplos da cabotagem e ferrovias, foram extintos, destruídos pelos interesses da indústria automobilista, ao longo da década de 1960. Cegueira política dos nossos governantes.
A CONSTRUÇÃO DA PONTE DE MADEIRA
Um momento de empreendedorismo, iniciativa, e cooperação entre as lideranças da comunidade, se deu por ocasião da construção da ponte de madeira sobre o rio Preto, ano 1961. A ideia surgiu de José Guedes, um caixeiro viajante de Barra, que descia de balsa com Isaias Menezes, propondo a este a construção de uma ponte sobre o rio Preto. Para tanto, ele daria $50 mil, Menezes $30 mil. A decisão foi levada, então, ao conhecimento das principais lideranças da Vila. Após reunião entre eles, dividiram-se as respectivas responsabilidades e contribuições. Um daria a madeira, outro o caminhão para trazê-la, e, assim, cada um a sua maneira, levaria adiante o projeto da construção. Menezes foi buscar, em Barreiras, um construtor de pontes.
Esqueleto montado, madeiramento estendido sobre o rio, eis que faltou dinheiro para conclui-la. Dante França, então, vai a S. Rita de Cássia, e pede ajuda ao prefeito. Este promete uma contribuição, caso Dante consiga ajudar na luta pela liberação da verba da prefeitura, pendente na capital do estado. Dante viaja para Salvador, e, lá, cumprindo os trâmites burocráticos, conseguiu finalmente a liberação dos recursos. Assim, a ponte pôde ser inaugurada, em 1962. Syneu, filho de Pompílio Mendes, foi o primeiro a atravessá-la, correndo a 120 km/h, em sua velha caminhonete.
Era nessa ponte que ficávamos esperando para apanhar os frutos do buriti que desciam pelo rio, vindo dos Gerais. Doce lembrança saltar da ponte para ser o primeiro a catar os saborosos ´´boretes´´. Hoje, totalmente extintos, com a queima dos Gerais!
FOLGUEDOS E OUTROS MOMENTOS FESTIVOS
Outros momentos festivos da vila diziam respeito aos batizados e casamentos. O padre que não residia na vila também aparecia apenas uma vez ao ano, geralmente, durante as festas do Coração de Jesus, no mês de junho. O padre Pedro, peruano, atrasado, reacionário, mesquinho, apoiador da Ditadura militar burguesa de 1964, pregava um catolicismo rural. Porém, o que fazer, era o único disponível! E, aqui, lembramos o padre Severino, década de 1990, e sua moderna mensagem de uma teologia da libertação, incompreendida pela classe dominante que o expulsou da cidade.
O vazio deixado por uma igreja compromissada com os trabalhadores, com os mais humildes, abriu espaço para a expansão do protestantismo messiânico, os vendedores de ilusão. Os imigrantes de Formosa são os mais vulneráveis, pois distantes de seus referenciais morais, longe de seus vizinhos, estão liberados de antigas amarras religiosas, mas, simultaneamente, desemparados, fragilizados em suas novas condições de vida, e, por isso, presa fácil para os insensatos pregadores.
O REISADO e suas múltiplas apresentações, tais como, o Urso, o Boi, as Pastorinhas etc. Uma das primeiras apresentações do reisado teve como personagem o Urso, encarnado por Luiz de Maria-de-Salu. Usávamos a referência matrilinear para identificar as pessoas de mesmo nome. Assim, tínhamos Zé de Beleza, João de Pedra etc. A linhagem matrilinear já teve o seu momento histórico, embora os judeus ainda o adotem. A dúvida, talvez, venha do ditado, “os filhos de minhas filhas, meus netos são; os filhos de meus filhos serão ou não”. Com relação ao período do matriarcado, sugerimos a leitura do clássico livro A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, de F. Engels.
O CARNAVAL: Em fevereiro, o carnaval, os caretas correndo e batendo nos meninos. Os caretas eram rapazes mascarados, vestidos com roupas de vaqueiro, chocalho pendurado no pescoço, cuja diversão era correr e bater nos meninos, sem que pudéssemos identificá-los. Havia ainda o entrudo, pessoas que se divertiam jogando água em quem passava por perto.
O CULTO A NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS: No dia dois de fevereiro, os devotos colocavam na janela de suas casas um pavio com cera de abelha que ardia durante horas. O culto está relacionado com uma antiga tradição portuguesa: A virgem Maria ao dar a luz ao menino Jesus teria trazido luz aos gentios. Os devotos de Nossa Senhora da Luz, ou Candelária, ou das Candeias recebiam os visitantes, dando-lhes as boas-vindas com biscoitos, café ou vinho de caju. É triste, mas essa tradição também se perdeu!
AS LAPINHAS: As lapinhas eram os nossos presépios, nossa maneira de comemorar as festividades de natal. Informalmente, atribuíamos nota às lapinhas mais bonitas, principalmente àquelas enfeitadas com pedrinhas branquinhas, as grutas, e a manjedoura. As pedrinhas, íamos buscá-las longe, no morro do quebra-quadril. Sabedoras desse concurso informal, as famílias formosenses davam asas à imaginação e caprichavam na feitura de suas lapinhas. A par da festividade, era costume dos expositores recepcionarem os visitantes com licores de caju e jenipapo, bolos e outras guloseimas.
AS FESTAS DO SÃO JOÃO: Uma das brincadeiras bizarra era o pau-de-sebo. No alto de um poste, tronco liso e ensebado, colocava-se um brinde para quem pudesse alcançá-lo. Naturalmente, muitas quedas e muitas risadas..., mas, no final, o que interessava mesmo era a batata doce que assava nas brasas de uma bendita fogueira.
COMO ERA EXERCIDA A CRÍTICA PÚBLICA
A crítica pública era exercida por meio de um expediente bizarro: O Testamento do Judas. Numa vila onde todos se conheciam e com amplo leque de laços de parentesco, não era prudente criticar publicamente uma pessoa, sob pena de perder sua amizade. Inteligentemente, a crítica pública se fazia por caminhos oblíquos, realizando-se, no sábado de aleluia, por ocasião da queima do Judas! O Testamento do Judas dizia para quem ele deixava seus bens, que outra coisa não era senão um saco de mazelas. E, aí, nomeavam-se as pessoas e a parte do legado do Judas que lhes cabia, ou seja, os males sociais da comunidade, percebidos e ridicularizados pela garotada.
AS BRINCADEIRAS DE CRIANÇA E OS NAMORICOS
Por aqueles tempos, as pessoas costumavam sentar-se à porta de suas casas, nas noites de luar. Era, também, uma maneira de conversar com os vizinhos, cumprimentar os passantes e, assim, reafirmar os laços de amizade. Nessas noites enluaradas, as meninas brincavam de roda, cantando a cirandinha e se essa rua fosse minha; pulavam corda e a amarelinha. As brincadeiras dos meninos eram o pião, ioiô, jiribita, bola-de-gude ou brincar de nego-fugido e capitão-do-mato. Havia ainda os surus, os quadros, as pipas e papagaios que empinávamos, chamando o vento, como dissemos, com assobios.
OS NAMORICOS se davam à distância, pois éramos muito tímidos, respeitosos. Havia as paixões secretas, nem sempre correspondidas, tanto para rapazes quanto para moças. As razões para tais impedimentos eram as diferenças sociais, as inimizades de família ou outros motivos quaisquer.
O TRÂNSITO DOS CIGANOS
Ocasionalmente, passava pela vila duas tribos de ciganos. Armavam suas tendas na várzea, geralmente no período da seca. Uma das tribos ou grupos era integrada por pessoas morenas, provavelmente de origem indiana (os gitanos); outra de pessoas aloiradas, possivelmente de origem eslava. Esta última tribo tinha excelentes artesãos, ourives; pessoas bem vestidas, ciganas bonitas, e cavalos com belíssimos arreios. Lembro-me de um tacho de cobre que minha mãe adquiriu deles e com o qual fazíamos doce de maracujá.
A outra tribo era, aparentemente, muito pobre, quase nada tinha para trocar ou comprar. Como eram pobres, corria o boato de que eles roubavam animais e crianças. Lendas rurais que em certa ocasião, primeiros anos da década de 1950, deixaram a vila em polvorosa ao circular a notícia de que bandos de ciganos estavam invadindo cidades no interior do estado e que marchavam em direção à vila Formosa. O corre-corre das pessoas mato-a-dentro, procurando refúgio, deixou a vila totalmente deserta. A notícia, naturalmente, havia sido truncada, ao longo do percurso do nosso precário sistema telegráfico.
Passada a crise, surgiu o anedotário que, era, na verdade, uma forma de rirmos de nós mesmos, pois todos fugiram inclusive aqueles que se diziam os valentões da vila.
Onde foram parar as duas tribos que circulavam pela vila, nos anos 1940-50? Não sabemos, elas desapareceram no mundo, mudaram de ramo ou de vida. Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, conheci, nos anos 1980, uma tribo de ciganos de traços eslavos, morando ainda em tendas, porém, pelo que me informaram, eles já estavam no ramo da construção civil; tornaram-se empresários. E, mais, há um rei cigano que vive no Rio Grande do Sul e, de lá, dirige a comunidade cigana do Brasil.
O SINO DA IGREJA: Na Vila, como todos se conheciam, o sino da igreja anunciava as missas, os batizados, outras celebrações; e nas eventuais mortes na comunidade, as pessoas saiam em procissão até ao pequenino cemitério que marcava o limite da vila com a zona rural. O cemitério era o relicário onde guardávamos a energia dos nossos entes queridos.
ESCASSEZ DE CHUVAS E MANIPULAÇÃO DO SAGRADO
O núcleo urbano de Formosa não é muito chuvoso, e, no meu tempo, costumávamos molhar o cruzeiro na rua que leva seu nome, logo atrás da igrejinha da Praça da Matriz. Era um ato simbólico de fé nas forças da Natureza, pois, segundo dizem, quando se deseja uma coisa ardentemente, todas as forças do universo tramam para sua realização. Assim, lá íamos nós, os meninos, com lata d´água na cabeça, molhar o velho cruzeiro. Não me recordo se chovia, lembro-me apenas que ninguém levava guarda-chuva.
Outra tradição relacionada com o mesmo assunto dizia respeito ao roubo de uma imagem de um Santo de algum devoto da vila. A devolução ficava condicionada à precipitação de chuva. Quanto mais o devoto sentia a falta de seu Santo protetor, mas depressa a chuva caía.
Nota: com relação ao ciclo das chuvas em Formosa, colocamos em nosso modesto site www.notassocialistas.com.br, ligeiras notas sobre o processo de formação das chuvas no semiárido do Sertão nordestino.
A parte dos Gerais, no município de Formosa, junto à divisa com o estado do Tocantins, sempre foi mais úmida! Os Gerais eram terras devolutas, não reclamadas, dadas suas vastas extensões. Lá, o gado pastava, no período das secas. A diversidade de aves, animais e plantas desta região era, no nosso tempo, riquíssima. Lembro-me de Azeredo que descia dos Gerais em balsas cheias de papagaios e outros bichos para exportação, além de farinha, mel de abelha e frutas.
A NOVA FORMOSA
A Formosa de outrora acabou. Hoje, cidade com mais de 25 mil habitantes, é o primeiro produtor baiano de soja, o sexto de arroz, o décimo-segundo de milho, o trigésimo sétimo de feijão. Produz, ainda, algodão e cana-de-açúcar, destacando-se também na pecuária, e já contando com 43 indústrias, 476 estabelecimentos comerciais, e salário médio de 2,1 salários mínimos. Dados adaptados e relativos a 1910, Ibge, Juceb etc. E se antes andávamos a cavalo, carro-de-boi e balsa, hoje a frota veicular da cidade se eleva a 1.838 veículos (automóveis, caminhões, motocicletas, ônibus etc.). Mas, é também a Formosa dos jovens entrando na droga; da violência cotidiana; do mau gosto cultural, enfim, da estética da barbárie!
A integração econômica da nova Formosa ao mercado nacional trouxe pelos menos duas mudanças que merecem ser mencionadas. Por um lado, abriu espaço para os jovens cursarem o ensino superior, e hoje temos inclusive muitos filhos de veredeiros formados; por outro, ocorreu um processo de desespecialização da mão de obra local. Quantos sabem, hoje, fazer um gibão, um carro-de-boi, um tapiti, uma cangalha, tecer ou fiar, preparar um bom vinho de caju, ou indicar um chá para curar dor-de-cotovelo?
O PROCESSO DA MUDANÇA
Quando começou, afinal, a mudança da antiga vila para a moderna cidade? O processo de transformação começou a partir dos anos 1960, notadamente com sua autonomia municipal, continuando com a fundação de Brasília e seus reflexos quanto à descentralização econômica e a interiorização dos recursos da urbanidade no país. Em seguida, na década de 1970, a abertura da rodovia BR 135, que viria facilitar o trânsito entre as diversas regiões.
Com a construção da rodovia BR 135, a partir de 1974, acentuou-se a procura por novas terras agrícolas na região, estimulada pela política vigente da Ditadura militar burguesa, baseada na concentração da renda e da propriedade. Com a ascensão de Delfim Neto ao ministério da agricultura (1979) e posteriormente ao ministério da economia, o processo de compra e até de grilagem das terras rio-pretenses se acentuou, notadamente nos Gerais.
ACOMODAÇÃO URBANA PARA A POPULAÇÃO RURAL E DEMAIS IMIGRANTES
A política de concentração da terra no município acarretou o êxodo rural. Os prefeitos de então (1977-88), em lugar de se oporem a esse tipo de política, optando antes pela resistência e apoio aos projetos de reforma agrária popular, julgaram por bem acomodar os desalojados, oferecendo-lhes lotes urbanos para moradia. E, assim, expandiu-se a urbe com a abertura de novas ruas, já a partir de 1977.
Os novos arruamentos foram projetados pelo topógrafo Dalton Dias dos Santos (Diugo) que partindo da Rua do Cruzeiro, traçou avenidas paralelas e ruas perpendiculares. Os lotes mais amplos, na confluência dos logradouros, seriam destinados a eventuais empreendimentos comerciais. Quanto às dimensões, os logradouros sofreram restrições políticas, no que diz respeito à largura. A avenida Brasil, por exemplo, reduziu–se de 24 para 20 metros.
Como não havia um Plano Diretor para a cidade, não se cogitou em reservar espaços para praças, parques, teatros, centros culturais e arborização em geral. A Prefeitura de então e as que lhe sucederam ficaram devendo para a população a humanização da paisagem formosense.
Coube ainda ao topógrafo Diugo, na gestão do prefeito Idaiano (1983), o planejamento do parque da vaquejada e à abertura da nova entrada da cidade. A ideia do parque da vaquejada nasceu de pessoas como Nelson Magalhães (Cotegipe), Chico Alencar (Riachão) e Ailton Valverde (Alagoinha).
Após quatro décadas de lento, mas continuo crescimento econômico, veio o salto dialético de qualidade para Formosa, na primeira década do século 21. Finalmente, o município estava integrado plenamente à vida política e econômica do país! Sobre o assunto, consulte o texto Características do capitalismo brasileiro, no nosso modesto site, citado acima.
Como consequência do processo de plena integração à economia maior do país, as terras rio-pretenses, como dissemos, foram todas privatizadas, griladas e cercadas. No tempo da vila, as terras estavam livres das cercas, os animais pastavam juntos, e todos conheciam seus rebanhos, pois eles não eram numerosos. Atualmente, as estradas rurais são estreitas e todas cercadas, ao longo de centenas de quilômetros. As margens do rio Preto também foram privatizadas e cercadas até ao nível da água, impedindo os passeios que fazíamos outrora.
O rio Preto de águas cristalinas que banha as terras de Formosa do Rio Preto, Bahia, município que divisa com o estado do Tocantins, é um subafluente do rio S. Francisco. Fluiu no Cretáceo (225-65 milhões de anos) produto da formação geológica urucuia. Atravessei-o a nado pela primeira vez aos oito anos de idade.
Apesar de belo, está sangrando, agredido pelos interesses capitalistas na região. Ele que deu vida à flora, à fauna e a todos os humanos que beberam de suas águas, talvez não complete aniversário nas próximas décadas, tal é o desmatamento de suas margens, as drenagens dos terrenos antes nascedouros de riachos que o alimentavam! A barbárie capitalista (Homo homini lupus) já o alcançou!
Acho que éramos mais felizes outrora e, talvez por isso, quando penso em Formosa, lembro apenas da vila da minha infância, a Formosinha de açúcar, e é para lá que sempre retorno montado no meu carro de saudades!
solonsantos@yahoo.com.br – SP, 25/01/2015 – www.notassocialistas.com.br - Ligeiras notas sobre os anos dourados da vila Formosa escritas inicialmente como subsídios ao livro de um amigo de Formosa.
Comentários sobre o texto Formosa de Minha Infância
01. Caro amigo, texto simplesmente fantástico! Confesso que fiquei maravilhado com o seu belo texto, onde retrata com muita clareza o que foi a sua juventude e um pedaço da minha. Não contive a emoção e compartilhei com meus amigos, com grupos e com alguns blogs, me desculpe se caso eu fui um pouco atrevido, a razão é que até hoje nunca ninguém escreveu a história de Formosa com tanta competência. Parabéns! Nós formosenses orgulhamos desse filho ilustre,tão generoso e que guarda no peito esquerdo o amor profundo pela sua terra. Esta história se juntará A Voz do Rio, na luta pela preservação do "Negão" o Rio Preto.
Obrigado.
Sândalo Nogueira de Souza.
02. Leio e releio e me emociono. Meu Deus, lindo demais! Gente, lindo demais!!!
Auria Aires
03. Estou encantada com seu texto... riqueza de detalhes!!! Compartilharei com meus alunos, pois eles merecem conhecê-lo. Parabéns!!! Eu vi o seu site, fiquei impressionada com o conteúdo. A leitura sobre Formosa é incrível, parabéns. Quando o senhor vier a Formosa, também gostaria que participasse do programa. Obrigada pelas sugestões de entrevista e colaborações.
Juçara Cox
04. Boa tarde, Solon!
Moro em Formosa e tenho um programa na rádio local. O "Vitrine Cidade". Onde procuro pautar assuntos relevantes para as pessoas, incluindo entrevistas sobre a nossa história.
Já entrevistei dona Tezinha, sr. Catulé e outros cidadãos falando sobre a Formosa de outrora. O relato do senhor tem o mesmo perfil do que procuro mostrar no meu programa da rádio. Por isso, gostaria de lê-lo no meu programa, se me permitires. No final do texto o senhor disse que é uma contribuição para o livro de um amigo. É um livro sobre Formosa?
Almerice Rodrigues
05. Aula maravilhosa sobre nossa cidade.
Washington Alves
06. Fiquei emocionada com esse belíssimo texto.
Elenita Souza
07. Fantástico. Ao término da leitura a emoção e as recordações foram tantas que não resisti. Parabéns ao autor. Vou guardar no fundo do baú.
Maria Francisca Tatá
08. Fantástico!!! Admiro quem não esquece suas raízes.
Marinalva Nogueira
09. Que lindooo!! Vou imprimir e guardar!! No curso da leitura, você vai se identificando com as histórias.... É um pouco da biografia de cada um dos filhos dessa terra amada!!! Parabéns ao autor!!
Silvana Castro Souza
10. Texto que me fez regressar à minha infância. Deveria ser lido nas salas de aula para o conhecimento de jovens que não conhecem a história de Formosa.
Dacinho.
11. Pensei exatamente isso, Dacinho. Solon teve uma inspiração divina ao lembrar a nossa história com tanta perfeição. Foi o trabalho mais perfeito que tive acesso sobre a nossa querida Formosa. Vamos reconstruí a nossa historia! Parabéns ao meu amigo, Solon!
Sândalo
12. Também acho!
Maria Rocha
13. Amada Formosa tem história. Parabéns, Solon. Os jovens precisam ler este texto.
Safira Serpa
14. Boa tarde!
Como professora, estou maravilhada com as informações sobre Formosa!
Obrigada,
Verônica Leite Serpa.
15. Confirmo a verdade do seu texto "Formosa da minha infância"; você não esqueceu nada. Também tenho saudades dos bons tempos idos, da tranquilidade na simplicidade, dos banhos no rio com minhas amigas, dos passeios no "Campinho" à tardezinha com Nilsa, Moreninha e Lali, contemplando a natureza, o rio, as canjaranas e sucupiras floridas, e o maravilhoso por do sol.
Clezinha
16. Solon, o seu outrora é o meu também, a Formosa que trago no pensamento é exatamente essa que você descreveu no seu texto. Que saudades, como foi boa minha infância na Formosa do Rio Preto do passado, onde a ganancia capitalista ainda não existia. E as tradições e brincadeiras de crianças: Reisado, caretas, entrudo, suru, pião, finca, bola de gude, macaco (amarelinha), jiribita etc., cada uma na sua época. Hoje tudo esquecido pelas transformações trazidas pelo progresso. E o banho de rio sem cercas que hoje privatizam o Rio Preto? A formosa que vivi também foi aquela do Salão de Antônio Araújo, do Tremendão, do bolo de Nina, do Nego-dágua, de Anália preta, do Judas pregado na porta da igreja matriz e muitas outras peculiaridades que só existiu lá, há que saudades.
Sergio Serpa
17. Quanta saudade senti de minha infância, ao ler esse texto, pois tive ainda a oportunidade de vivenciar um pouco dessa história que os tempos não trazem mais...Belíssimo texto! Texto maravilhoso que me remete à minha infância igualmente maravilhosa, onde pude orgulhosamente vivenciar um pouco dessa história, e que de todo lido, o que me incomoda é a descrição da privatização das margens do Rio, nos impedindo de circular pelas suas margens, no mais, só saudade dessa Formosa História.
Joelina Rodrigues
18. Belo texto! Para aqueles que não conheceram a beleza de Formosa do Rio Preto de outrora, hoje podem imaginá-la lendo esse texto; apesar da evolução dos tempos, sentimos saudades e éramos mais felizes.
Marilde Dias de Araújo
19. Parabéns! Fez-me lembrar da minha infância, não com tantos detalhes como o seu. Muito bom.
Darilene Batista Mendes
20. Parabéns pelo belo texto.
Mariene Dias de Araújo
21. Parabéns, Solon! Belo texto, parte dele fez aflorar em meu coração saudades de uma infância mágica em Formosa, que coincidentemente similar a sua, morei lá até os 14 anos.
Grande Abraço.
Valdinei Dias.
22. Caro Solon: Os dados que você tem me passado sobre a memória de sua infância em Formosa, já divulgados, se transformaram, com louvor, num belo texto literário, inclusive pela excelente redação, evocando "Minha Infância", que vem encantando a todos quantos o leem. Dante disse, hoje, por telefone, que está ansioso para lê-lo, de modo que, melhor do que eu, você já atingiu os objetivos que me levariam a escrever o livro. Nossa Formosa comporta todas as paixões dos seus filhos, pelo quanto ela faz por merecê-lo, como tão bem está evidenciado no que você já escreveu ao nos repassar esses momentos imorredouros que nos fizeram tão felizes.
Abraços com o melhor dos meus agradecimentos,
Zezi.
23. O falado progresso acaba com as riquezas da fauna e flora. Belíssimo texto.
Emerson Caldeira.
24. Sólon, cada geração tem a sua alegria, a sua dor e a sua saudade. Das três, a saudade é a dor permanente da alma que revive a nossa Formosa numa vã tentativa para que a memória sobreviva à inexorabilidade do Tempo, senhor absoluto de nossas Vidas.
Escrevi nesta madrugada sobre o que era Formosa e ao ler este texto senti outro tipo de melancolia: aquela que nos arrasta para o que não vivemos e, ao que parece, é muito mais pungente. Obrigada por me transportar para a Vila que daria parte de mim para nela ter vivido. Somos parceiros na saudade...
Marilene Martins.
25. Já tenho, compondo meu arquivo de preciosidades, esse seu belo texto, que você colocou à minha disposição, como subsídio, para a nova edição, modificada, do nosso "Resgate de um Débito". .
José P. Landim
26. Toda verdade sobre a Formosa do Rio Preto da minha infância. Perfeito.
Dilma Santos
27. Solon, Tudo bem? Admiro-lhe a inteligência, a sabedoria acumulada, o universo em que transita e, sobretudo, a permanência de seu vínculo com Formosa. Sou filha de dona Elza, neta de dona Hermínia e "seu" Januário - somos parentes, aliás, como as famílias mais antigas de Formosa. Sei que você acompanha a evolução de nossa cidade e, após ler seu texto sobre ela, diante do que se transformou, pontua em mim imensa curiosidade, na melhor acepção da palavra, sobre como você vê e analisa nossa contemporaneidade com os percalços políticos, ambientais e sociais.
Qual a visão de um cientista social do seu naipe sobre esse rincão cuja riqueza deriva do solapamento dos recursos naturais dizimados pelo agronegócio, com o agravamento crucial de ter parte significativa de sua gente alijada dessa pujança? Obviamente que a resposta é facultativa e se me for dada, em caráter privativo.
Perguntei à minha mãe sobre você e ela me contou a história da sua família, deu nomes que conheço de ouvir falar e ao final ela completou dizendo: "Eles foram embora para São Paulo e nunca mais voltaram".
Com que frequência você vem a Formosa?
Abraços!
Marilene Martins
28. Parabéns por relatares os acontecimentos que se passaram no tempo de nossa infância, meu coração tornou-se alegre ao ler o que escreveste!
Jordino Figueiredo de Araújo
29. Sólon, maravilha de texto! Foi grande a minha emoção, do começo ao fim... Relembrar nossa infância em Formosa não tem preço! Foram fases inesquecíveis, que ficaram marcadas em nossa alma como uma tatuagem... Tudo que você citou, todas as lembranças, com certeza estão na minha memória também, e ao relembrar, me senti melancólica e saudosa ao mesmo tempo. Éramos muito felizes! Parabéns! Amei o que você escreveu! - Lacy Araújo de Franco
30. Veja pai, ele fala do bolo de arroz da vó Marota. Muito bom...!
Anaelka Magalhães
31. De encher os olhos d´água... Parabéns!
Andre Roveri Machado
32. Parabéns Solon pelo texto, e pela forma realista e ao mesmo tempo carinhosa de nos mostrar o retrato de nossa Formosa de outrora, comparando-a com a Formosa dos dias atuais. Belíssimo trabalho, que deveria ser apresentado e trabalhado nas escolas, pois a grande maioria dos alunos desconhece a história da nossa querida cidade: Formosa do Rio Preto!
Teka Araújo
33. Parabéns pelo texto Solon. Era isto aí, sem tirar nem por !!!
Jansen Carvalho
34. Bons tempos aquele - Decivaldo Dias
35. Bartolomeu Landim - Essa vivência encravada no nosso subconsciente só nos traz alegria e saudáveis recordações da infância.
36. Idália Landim Fernandes - Formosa do Rio Preto da nossa infância é beleza e magia. As lembranças daquela distante vila são fortes e continuam impregnadas de doce saudades. Parabéns pelo seu estudo de corte sociológico/cultural, representando um ótimo contributo à historia social de Formosa. Como estudo-piloto, certamente, ensejará a projeção de novas pesquisas, no momento em que os centros de ensino universitário estão mais próximos do alto sertão. Seu trabalho é digno de nota.
37. Solon, li suas “Ligeiras notas sobre Formosa” e achei interessante, revelando, mais que um preparo do signatário, uma perspicácia impressionante sobre a realidade de nossa terrinha. Peço que me mande por e-mail e com autorização para divulgação no meu blog – abraços Ubiraci Moreira (Bira).
38. Sólon, parabéns. Bela a originalidade de seus escritos. Você deu uma "lavada" no linguajar das descrições. Beleza. Grande contribuição para a História de Formosa do Rio Preto. Deve ser lido nas escolas. O Rio Preto agradece. - Dante França, 23/01/2019.