Doze questões sobre Filosofia
01. O que é Filosofia?
Filosofia é um modo de conhecimento que exprime sob sua forma mais geral as leis fundamentais da natureza e da história. Ela pode ser entendida como uma concepção geral do mundo a partir da qual os homens podem deduzir certa forma de conduta. Desde logo, porém, devemos nos lembrar que não há concepções filosóficas neutras, convenientes a todas as classes sociais em luta. Ao contrário, como já dizia Marx, as ideias dominantes de uma época são, geralmente, as ideias da classe dominante. Em outras palavras, uma concepção filosófica de mundo geralmente está a serviço de uma classe social e em prejuízo de outras.
Quanto ao saber filosófico, é de conhecimento geral que a Filosofia parte de proposições que se pretendem verdadeiras, possíveis de serem demonstradas racionalmente. Na origem, os primeiros filósofos raciocinavam dialeticamente, isto é, examinavam as proposições de determinado tema, a partir do confronto de ideias, examinando todas as possibilidades dos termos propostos, reconciliando-se posteriormente as contradições entre eles. São as instâncias conhecidas como tese, antítese e síntese.
02. É importante estudar Filosofia?
Para responder a essa questão eu teria de filosofar!
03. O que ela influi em nossas vidas?
Influência total, pois, como dissemos anteriormente, uma concepção de mundo influencia a maneira de pensar, sentir e agir das pessoas, em face da realidade que nos cerca.
04. Por que a Filosofia está “’extinta?”
Extinta ela não está, porém a sociedade capitalista na atual etapa de seu desenvolvimento impõe a necessidade de especialização profissional das pessoas, e o próprio conhecimento cientifico, hoje, só tem sentido se dele derivar uma aplicação tecnológica prática e que resulte em lucro para os empresários capitalistas.
Para cumprir melhor esse desígnio, a Ciência se ramificou em áreas específicas do saber. Por um lado, avançou muito, descobrindo as leis próprias de determinados setores da realidade. Por outro, dificultou a possibilidade do conhecimento integrado, o que tem levado os cientistas a terem uma visão parcial das realidades do mundo e a desenvolver, em consequência disso, pesquisas ligadas ao desenvolvimento de armas de destruição em massa.
A especialização dos ramos da Ciência e sua utilização classista impedem os homens, cientistas e leigos, de terem uma visão holística de suas realidades sociais, de conhecer o que é mais conveniente para a humanidade. Aceita a premissa, acreditamos que o conhecimento integrado somente é possível por meio do ensino do materialismo dialético, que é a um tempo ciência e filosofia, que desnuda os interesses de classe, e por isso está proibido nas universidades do mundo capitalista.
05. Por que tanta divergência entre o pensamento filosófico e o religioso?
Porque a religião parte de dogmas, isto é, de pontos de doutrinas definidos como expressão legítima e necessária de uma fé. O pensamento religioso afirma a existência de um tipo de conhecimento que foge à compreensão racional. A religião é finalista e todas as coisas para ela têm uma razão de ser, de existir, mas nem sempre sabemos porquê. O conhecimento dessas verdades somente viria pela revelação divina.
A Filosofia, ao contrário, difere da religião por ser racional, crítica e sistemática, submetendo-se ao contraditório. Não nega o conhecimento cientifico adquirido, mas apoia-se nele para adiantar-se ao próprio conhecimento científico. A Filosofia por não ser dogmática, não só deu origem às diferentes ciências, como, também, ela mesma tem-se modificado ao longo das sucessivas escolas de pensamento, vale dizer, diferentes concepções de mundo.
06. O que mudou no pensamento filosófico de antigamente para os dias atuais?
A Filosofia antiga, também chamada de clássica, era mais especulativa, dependia unicamente do desenvolvimento do raciocínio. Quanto ao pensamento dos primeiros filósofos, por exemplo, a questão colocada era se havia um principio único para explicar a diversidade do mundo. E a resposta a esta questão deveria contemplar o nível de racionalidade dos interlocutores da época, uma vez que a Ciência ainda não havia se desenvolvido aos níveis do conhecimento da atualidade.
Com o surgimento da Dialética Materialista de Marx e Engels (segunda metade do século XIX), ocorre uma ruptura no modo de pensar filosófico. A Filosofia deixa de ser descritiva, especulativa, e passa a ser um conhecimento colocado nas mãos dos trabalhadores para transformar suas próprias realidades sociais. É a Filosofia da ação. Marx já dizia: os filósofos têm interpretado o mundo de diferentes maneiras, mas o que importa mesmo é transformá-lo!
07. Qual sua participação no mundo filosófico?
Nossa participação prende-se à ação de ministrar cursos de formação política para alguns quadros operários, ajudando-os a compreender política e filosoficamente suas realidades sociais, sempre na perspectiva da mudança dessas mesmas realidades.
08. Como transmite o ensino de Filosofia?
Didaticamente, com formação de grupos de estudo, construindo uma concepção de mundo, a partir dos interesses dos trabalhadores.
09. Que livros um estudante de filosofia deve ler?
Como dissemos anteriormente, uma concepção de mundo pode estar a serviço de uma classe social e em prejuízo de outra. Assim, optamos pela leitura de livros que estejam dentro do enfoque do materialismo dialético.
10. Quais os principais filósofos do passado?
Dos clássicos, citamos os materialistas pré-socráticos, Heráclito (540-480 a.C) e Demócrito (470-370 a.C); dos socráticos, o próprio Sócrates, Platão e Aristóteles; dos idealistas, Kant (1724-1804) e Hegel (1770-1831). Uma curiosidade: Platão formulou praticamente todas as questões fundamentais da Filosofia que ainda hoje motiva nossas preocupações!
11. Qual é o principal rema abordado pela filosofia hoje em dia?
A maior preocupação hoje em dia da Filosofia é pensar a situação humana dentro de um contexto histórico concreto, tal como no capitalismo. Em outros termos, os limites da consciência social do homem dentro de um contexto histórico concreto e sua responsabilidade social em face dessa realidade. Há ainda preocupações filosóficas mais setoriais como as questões: ética e política; ecologia e o perigo de extermínio da humanidade; e outras existenciais resultantes da falta de respostas para a triste situação de vida da imensa maioria da população.
12. Por que você escolheu esta profissão tão malvista pela sociedade atual?
Na realidade, somos mais cientista social por formação do que filósofo, mas entendemos que a Filosofia ensina a pensar de maneira mais sistemática, ajudando-nos a olhar o mundo de maneira holística. E o homem que pensa criticamente sua realidade social é um perigo para esta sociedade fundada na exploração de classes.
solonsantos@yahoo.com.br – notassocialistas.com.br - entrevista concedida a um aluno.