Nova classe média brasileira

 

Artigo do jornal Hora do Povo, edição de 27 a 29/01/2012, nos dá conta de um trabalho escrito por um profissional da FGV, no qual é utilizado o critério de estrato de renda como equivalente ao de classe social. Agora, novamente, esse trabalho repercute na mídia televisiva do país.

 

Para muitos economistas burgueses, um trabalhador com rendimentos a partir de 2,2 Salários Mínimos já pode ser considerado como integrante da nova classe média brasileira. O símbolo dessa nova classe média, segundo um técnico da FGV, é a carteira de trabalho assinada, isto é, o trabalho formal.

 

Classe, como sabemos, é uma relação social que se define fundamentalmente no âmbito da produção entre proprietários e não-proprietários dos meios de produção.

 

Classe média, para nós, seria constituída pela pequena burguesia, representada por trabalhadores autônomos ou cooperativados e proprietários em geral de micro e pequena empresas. Por conseguinte, donos de seus próprios meios de produção e, por isso, não vendem sua força de trabalho em troca de salário.

 

Não devemos incluir neste conceito de classe média os chamados volantes, camelôs e outros trabalhadores que vivem de ´´bicos´´, trabalhos eventuais, para sobreviver. Essas pessoas constituem, geralmente, o exército de desempregados estruturais do sistema capitalista, constituído por centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro.  

 

Técnicos, gerentes, administradores, e a burocracia em geral, em razão de sua qualificação profissional e de sua alocação em setores estratégicos da sociedade, constituem, no máximo, uma camada social bem remunerada do proletariado, que em virtude de seu poder aquisitivo, quase sempre se posicionam ao lado da burguesia, no dia a dia da luta de classes. A pesar dos níveis de suas remunerações, entendemos que nem mesmo estes devem ser considerados como classe média, que dirá, então, o segmento dos trabalhadores com níveis salariais, a partir de 2,2 S. M., como querem alguns economistas burgueses?!

 

Assalariados de médio ou alto poder aquisitivo não pertencem à classe média pela simples razão de não serem proprietários dos meios de produção, e, em consequência, estarem sujeitos à perda de seus empregos a qualquer momento da vida. E quando isso acontece, eles quase sempre entram em depressão, recorrendo muitas vezes ao analista, à religião ou à literatura de autoajuda etc., como ocorre nos Estados Unidos, onde são vendidas, anualmente, milhões de publicações de conteúdo escapista!

 

Há, ainda, dois grupos profissionais ligados ao aparelho de Estado, que raramente perdem o emprego. Uns são servidores públicos, civis; outros integram o aparelho de controle e repressão social. Ambos, civis e militares, constituiriam, em boa parte, uma camada social do proletariado de renda média, segundo algum critério de poder aquisitivo de seus proventos. 

 

Os militares, oriundos geralmente do proletariado, são submetidos à disciplina hierárquica e aos processos de ressocialização que os induzem à defesa dos interesses do Capital. Ambos, porém, civil e militar, por uma ou outra razão, se identificam ideologicamente mais com os interesses da classe dominante do que com os interesses da maioria de seus povos!

 

Como mencionado no artigo do jornal Hora do Povo, edição de 27 a 29 / 01, com relação ao conceito de classe média definida pelos economistas burgueses, trata-se, possivelmente, de incutir na cabeça do trabalhador brasileiro duas ideias com viés ideológico burguês:

 

I. o Brasil está melhor, muito melhor, não há o que temer; II. criar a ilusão privatista, individualista na cabeça do infeliz assalariado brasileiro, fazendo-o acreditar como integrante de uma pseudo classe média, ocultando, por um lado, a exploração de classes que se dá no processo da produção de bens e serviços, por outro, a tentativa de adiar o embate final entre o Dragão da Maldade e o Santo Guerreiro, a feroz luta de classes entre patrões e empregados. 

 

solonsantos@yahoo.com.brnotassocialistas.com.br

 

Classe média brasileira chegará a 60% até 2014, diz FGV.

 

Desigualdade atingiu menor índice das séries históricas desde 1960.

 

Até 2014, a classe média deverá chegar a 60% no Brasil. Entre 2003 e 2011, 40 milhões alcançaram a classe C e mais 12 devem chegar até 2014. Esta projeção está no estudo “Crise Europeia e a Nova Classe Média Brasileira”, divulgado nesta quarta-feira (7) no Rio de Janeiro, pelo economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Neri. Segundo dados da pesquisa, atualmente, a classe média brasileira corresponde a 56,89% da população. O economista explica que a projeção é feita de acordo com os índices de queda da desigualdade e da pobreza.


O Brasil está na contramão de outros países emergentes e desenvolvidos, apresentando queda na desigualdade nos últimos 11 anos consecutivos. Hoje, estamos no menor nível de desigualdade da nossa série histórica, que começa em 1960. O grande mérito destas quedas é do próprio brasileiro, que passou a trabalhar em empregos formais, deixou de ter muitos filhos e investiu em educação, colocando os filhos na escola.


Ainda segundo Marcelo Neri, a redução da desigualdade no País é resultado do aumento da renda per capita do Nordeste. Os estados nordestinos tiveram maior crescimento de renda familiar per capita entre 2001 e 2009, porém continuam sendo os mais pobres do País. O crescimento médio foi de 42% contra 16% no Sudeste, sendo 7,2% só em São Paulo.

 

O estudo mostra ainda que a pobreza no Brasil caiu 7,9% entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012, um ritmo três vezes mais rápido que o da meta do milênio da ONU (2,7% ao ano). Este dado coincide com o crescimento observado entre 2002 e 2008, período conhecido como “a era de ouro mundial”.

 

Segundo dados da pesquisa, a renda familiar per capita média cresceu 2,7% nos últimos 12 meses, e o índice de Gini (que mede a desigualdade) caiu 2,1%. Esta é a 12ª queda consecutiva.

 

Apesar de a pesquisa mostrar redução na disparidade entre as classes sociais, o Brasil ainda continua no ranking mundial como o 12º País com maior índice de desigualdade.

 

Fonte – http://noticias.r7.com – mídia TV Record - 07/03/2012