O TAMANHO DO UNIVERSO

Essa ideia de um universo infinito não me convence! O universo é finito, curvo, porém sem fronteiras. Dito de outra forma, o espaço é apenas uma dimensão da matéria, seria, digamos, a contrapartida do volume físico da contraída matéria (massa), nem mais nem menos!

Para ilustrar melhor esta ideia de espaço, recorro a um exemplo conhecido. Suponhamos construir um monte a partir de uma superfície plana. Então, retiramos terra de um ponto dessa superfície acumulando-a em outra parte desta mesma superfície. Ao final, teríamos, de um lado, um monte, de outro, uma cratera. Essa cratera seria o espaço, uma forma primária do universo, quando toda matéria era só energia. O espaço, portanto, é uma propriedade da matéria e, ao mesmo tempo, uma dimensão da realidade universal.

O universo entendido como a totalidade dos campos gravitacionais que interagem entre si não se expande infinitamente no espaço, uma vez que o espaço já está nele compreendido. Assim, a ideia de um espaço infinito, do ponto de vista da Geometria plana, é inconcebível. 

A matéria em todas suas manifestações (massa visível, escura etc.), quando de sua dissolução em energia, ocupará todo o espaço correspondente à magnitude de sua própria realidade. Dito de outra forma, o espaço é exatamente do tamanho da matéria preexistente que o gerou, nem mais nem menos. E mais: no espaço não há em cima e embaixo, todos os campos gravitacionais estão no mesmo plano, como se formassem uma rede ou nuvem esférica. O foguete não sai para cima quando lançado em direção à lua. A gravidade que nos puxa para o centro da Terra nos dá essa ideia do em cima e embaixo.

Sabemos que matéria é movimento, movimento é matéria, todas as galáxias estão em movimento e se afastando umas das outras sob o impulso do sopro inflacionário que gerou suas próprias realidades materiais. O espaço dilata-se, expande-se sob o efeito do movimento das galáxias, pois ele mesmo é parte integrante da realidade universal.  Por falar em movimento, a nossa estrela, o sol, gira em torno da Via Láctea, completando um périplo a cada 250 milhões de anos.

Elementos constitutivos do universo

Como energia é o reverso da matéria (E=mc2), sabemos, agora, que apenas duas realidades podem gerar o universo: energia e espaço-tempo! Uma determinada energia (que também é uma forma da matéria) submetida a enorme pressão e temperatura correspondente é capaz de sintetizar uma partícula fundamental. De igual modo, se uma partícula for submetida a uma quantidade de energia superior à energia contida nesta mesma partícula ela pode ser desintegrada!

E foi assim que a matéria na forma de energia, submetida à enorme pressão e temperatura correspondente inflacionou-se, repentinamente, gerando, em fração de segundo, inúmeras partículas fundamentais constitutivas da matéria e, simultaneamente, a quarta dimensão: o espaço-tempo. Já conhecemos cerca de duas centenas de partículas entre complexas e elementares. Somente a tabela dos elementos químicos nos aponta 94 átomos, e mais 24 outros de curta duração produto da experiência humana.

Entre as partículas fundamentais, há os férmions (quarks e antiquarks, leptons e antileptons) partículas formadoras da matéria; e os bósons, partículas de força. O bóson de Higgs, por exemplo, tem a propriedade de aglutinar partículas elementares que podem constituir cadeias de partículas formadoras dos átomos. Sabemos, também, que a cada partícula, corresponde uma antipartícula.

O Hidrogênio, o átomo mais simples (número atómico 1; massa 1,0079), pode ser constituído por 3 ou 5 quarks. A fusão de quatro átomos de Hidrogênio pode gerar um átomo de Hélio (número atómico 2; massa 4,0026, sendo 2 Prótons, 2 Nêutrons e 2 Elétrons). Na fusão, dois Prótons expelem Pósitrons (partículas elementares) que se chocam com dois Elétrons (partículas elementares), transformando-se ambos em energia, e como resultado, dois Prótons se transformam em dois Nêutrons, constituindo, assim, o átomo de Hélio.

A pergunta dos antigos pensadores gregos, entretanto, continua de pé: pode do indiferenciado sair o diverso? Se toda matéria desintegrada se transforma em energia, estaria o diverso contido nessa energia, como se fosse uma sopa de vários ingredientes? Ou seriam irredutíveis as inúmeras partículas elementares constitutivas da matéria?    

Matéria é energia integrada e composta

Como matéria é energia integrada e composta e o universo em sua hipotética origem era uma singularidade. Acreditamos que a energia, essa forma preexistente de matéria, poderia, em sua dinâmica, se autocomprimir, elevando sua própria pressão e temperatura ao ponto de ocasionar um enorme sopro inflacionário. E a radiação de fundo (observada na década de 1950) nos diz que o universo em sua origem era quentíssimo!

Em voo de pássaro, diríamos que, após a eclosão do universo, a rápida oscilação diferencial da temperatura criou as condições favoráveis à agregação de partículas fundamentais entre elas os quarks que iriam constituir os átomos de hidrogênio, tijolos formadores das estrelas primordiais. A força gravitacional das estrelas, por sua vez, constituiu as galáxias e, assim, por diante!

Estrelas de segunda geração e elementos químicos pesados

Os elementos atômicos mais pesados (vide tabela periódica dos elementos químicos) foram forjados na fornalha das supernovas e hipernovas, estrelas gigantescas, colapsadas pela força gravitacional, cujas camadas externas ruíram sobre si mesmas, ocasionando indescritível explosão. Os restos da estrela colapsada, seus elementos pesados, foram lançados para o espaço sideral que, em sua trajetória, terminariam por constituir as nebulosas, berçários de novas estrelas. Nosso sistema solar, por exemplo, é resultado desse processo violento. Os elementos químicos pesados do nosso corpo foram forjados em outra estrela, uma super ou hipernova que morreu para que pudéssemos nascer!

A quarta dimensão espaço-tempo

Quanto ao tempo, o que é ele senão a aferição do movimento da própria matéria? Não nos esqueçamos de que matéria é movimento, movimento é matéria! Não concebemos a ideia de matéria inerte, sem movimento! Um momento antes e outro depois de qualquer acontecimento (natural ou social), eis aí, a ideia de tempo! Quando dizemos que um avião caiu, imediatamente queremos saber onde (espaço) e quando (tempo).

O que é o Nada

Quanto à existência do Nada, temos a dizer o que segue: a matéria quando desintegrada se transforma em energia, e esta energia é, por sua vez, tão indestrutível quando incriável. Se as coisas pudessem se desintegrar em um Nada, a recíproca inversa seria também verdadeira, isto é, do nada poder-se-ia extrair alguma coisa. Ora, se o nada é coisa alguma, logo, não existe. O que existe é o todo que é tudo sem faltar nada. Como dizia Lavoisier: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma! A ideia do Nada decorre, ao que parece, da ideia de espaço. Um exemplo disso seria o aparente vazio existente entre dois corpos, e aí dizemos: não há nada entre eles.

Espaço e Gravidade

Ainda com relação ao espaço, sabemos que os astros o dobram, curvam-no. O espaço seria assim uma espécie de tecido maleável que julgamos ser constituído de matéria escura que interage vivamente com os astros. Assim, um objeto que passar pelas proximidades do espaço de uma massa, tende a cair sobre ela como uma bola que rola por uma ladeira. Na Terra, ao longo do paralelo 35 N, a velocidade de tal objeto aumentaria na proporção de 9,8 metros, em média, por segundo a cada segundo. Neste sentido, gravidade não seria outra coisa senão Aceleração. Dependendo, porém, do ângulo e velocidade do objeto, ele poderá cair, orbitar ou escapar, curvando o astro que o atrai.  

Quanto ao vácuo: Segundo algumas observações e hipóteses da Física Quântica, até no aparente vácuo absoluto do tubo de ensaio de um laboratório de pesquisas “brotam partículas virtuais” que se chocam, se desintegram, para ressurgirem em seguida numa dança frenética. A esse fenômeno, atribuem-se a hipótese da existência de matéria e antimatéria. Acredito, porém, que a ideia de um Nada absoluto tratar-se-ia apenas de matéria escura. Supõe-se que o universo é composto por 73% de energia escura, 22% de matéria escura e apenas 5% de matéria visível. Quando um canal de TV perde sua sintonia, o que aparece são partículas, bolhas brilhantes, ecos do chamado Big Bang, o imenso sopro primordial que originou a matéria enquanto forma de massa.

As quatro forças que comandam o universo:

Retomando a ideia original: O universo constituído tem como base quatro forças que o regem: as forças nucleares forte, fraca, eletromagnética e a gravidade. A nuclear forte mantém os átomos unidos; a força fraca responde pelo decaimento radioativo, pela radiação nuclear; a eletromagnética pela interação entre prótons e elétrons e consequentemente pelos processos físicos decorrentes dessa interação; e a gravidade, pela ordem cósmica. Sem a gravidade, o universo, entendido como a soma total de todos os campos gravitacionais que interagem entre si, seria inconcebível!

O tempo de reciclagem do universo

O fim do universo: o próton se desintegra ao longo de 250 bilhões de anos, transformando-se em radiação (pela ação da força nuclear fraca). Essa seria a idade de cada universo, vida e morte e ressurgimento! A saturação do espaço pela radiação nuclear ao longo desse tempo poderá ocasionar, por força de sua própria dinâmica, a contração do espaço-tempo, no processo do eterno retorno, ou, segundo o hinduísmo, no ritmo da respiração de Brahma!

solonsantos@yahoo.com.br – Ligeiras notas – site: www.notassocialistas.com.br - veja também o excelente vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ZH12Zw9b7jo