Super-Heróis das Histórias em Quadrinhos

 

Os super-heróis das histórias em quadrinhos são uma criação fantasiosa da literatura de alguns países, notadamente dos Estados Unidos. Essas histórias emergem nos momentos de crises profundas do Capitalismo. Assim, nasceu Tarzan, em 1912, e que tanto sucesso fizera, nos momentos de tensão pré-Primeira Guerra Mundial; de igual modo, Zorro, no pós-Guerra (1919). A Mídia pedia, nesse momento, diversão, aventura, apagar os rastros da destruição e refazer a vida.

 

A grande depressão econômica americana, na década de 1930, foi outro momento rico em folhetins do gênero, momento este que precedeu a 2a. Grande Guerra mundial. Na década de 1930, havia nos Estados Unidos milhões de desempregados, muita miséria e violência. A população estava descrente quanto à possibilidade de superação da profunda crise que assolava o país.

 

Criaram-se então alguns mitos para distrair o povo de sua realidade social concreta. Essas fantasias revestidas em aventuras de super-heróis não só distraíam o povo, mas também fortaleciam sua autoestima. As façanhas da personagem “Capitão América” (1941), por exemplo, ajudavam a levantar o moral dos soldados no campo de batalha.

 

A literatura dos super-heróis, porém, identificava o mal e a injustiça em certas pessoas e não no sistema capitalista de então. Eram quadrilhas de ladrões, chefes mafiosos, contrabandistas, políticos, ou cientistas loucos que  queriam dominar o mundo ou a cidade em que moravam.

 

Caberia aos super-heróis combater o mal, assegurar a ordem. E assim fazendo, justificava-se a manutenção daquele tipo de sociedade que era, ela mesma, origem de todo o mal. A competição, o domínio dos mercados, enfim, os fundamentos do Sistema que conduziriam, novamente, o mundo à 2a. Grande Guerra Mundial (1939-45), na qual morreriam cerca de 53 milhões de pessoas.

 

Para não descer à raiz do problema, a literatura dos super-heróis desviava o foco da luta real para uma luta virtual, uma luta no plano simbólico: a batalha entre mocinhos e bandidos, o que contribuía para a alienação dos jovens, levando-os a escapar momentaneamente de suas realidades sociais concretas.

 

No plano da fantasia, como é sabido, o mocinho sempre vence o bandido. Lendo histórias em quadrinhos, ou assistindo a aventuras no cinema, realizava-se uma transferência de vingança da população da vida real para o plano virtual, como ocorre nos processos de catarse. As pessoas se sentiam, momentaneamente, vingadas, ao transferir sua frustração para o plano simbólico, e  encarnando, nesse plano, a vingança do mocinho contra o vilão, que agora era o patrão, o Governo, o vizinho, entre outros.

 

Algumas Personagens de Super-Heróis Americanas:

 

Superman: novela escrita em 1930 e apropriada, em 1938, por Jerry Siegel (texto) e  Joe Shuster (desenho). Na vida comum era um simples repórter chamado Clark Kent, obrigado a se refugiar no planeta Terra, pois o seu sofrera uma explosão. Em seu novo Lar, disfarçava seus superpoderes de extraterrestre. Tornou-se super-herói ao combater bandidos, e cientistas loucos que queriam dominar o mundo. E no filme realizado mais tarde (Superman, o Filme) ele viria a dizer claramente que defendia a ordem, a manutenção da sociedade (capitalista) de seu país.

 

Batman: herói norte-americano das histórias em quadrinhos e, posteriormente, desenhos animados e seriados de televisão, criado, em 1939, pelo desenhista Bob Kane. Burguês que se disfarçava de homem-morcego para ajudar a prender os vilões mais inteligentes e ricos em truques e que sempre enganavam a polícia. Segue a mesma lógica do Superman: defender o sistema, combatendo os malfeitores, responsáveis, segundo ele, pela violência, pelo mal que campeia na sociedade americana.

 

Mandrake: de Lee Falk e Phil Davis, em 1934. Mágico famoso expressando feitos fantásticos de ilusionismo para combater os malfeitores. Sua mágica era sempre usada para enganar os bandidos, e assim poder vencê-los, desmascarando-os e entregando-os à justiça.

 

Flash Gordon:  personagem de Alex Raymond, de 1934. Explorador espacial, a exemplo de Jornada nas Estrelas. Combatia os vilões de outros planetas. Essas ficções espaciais influenciaram a imaginação dos americanos que passaram a ver discos voadores em todos os lugares do território americano.

 

Jim das Selvas: Criação de Alex Raymond, em 1934. Aventura na África, à semelhança de Tarzan (1914), protegia os animais da caça predatória. Personagem precursora do ideal dos fiscais do Ibama.

 

Fantasma: criação de Ray Moore e Lee Falk, em 1936. Personagem mascarada que morava em uma caverna, em forma de caveira, no território dos nativos pigmeus bandar, e que com eles mantinha relação amistosa e de ajuda mútua. Lutava pela harmonia das tribos e contra a ganância de aventureiros brancos que queriam se apossar das riquezas da selva (marfim, ouro e brilhantes). A personagem “Fantasma” passava de pai para filho, e todos achavam que ele era imortal. Usava um anel-caveira, sua marca registrada.

 

As histórias em quadrinhos, no fundo, registravam até com certa fidelidade os acontecimentos sociais e econômicos dos Estados Unidos. Elas mostravam no plano simbólico, da ficção, as dificuldades porque passavam aquele País.

 

  

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