ALGUMAS REGRAS DE PORTUGUÊS

EMPREGA-SE O HIFEN APÓS OS PREFIXOS E FALSOS PREFIXOS, ABAIXO,

1) SEGUIDOS DE PALAVRAS INICIADAS POR: H (Ex. anti-histórico)

2) SEGUIDOS DE VOGAL IGUAL À VOGAL FINAL (Ex. arqui-inimigo)

AERO – AGRO – ALFA – ANTE – ANTI – ARQUI – AUTO – BETA – BI – BIO – CONTRA – ELETRO – ENTRE – EXTRA – FOTO – GEO – HETERO – HIDRO – HIPO – HOMO – INFRA – INTRA - ISO – LIPO – MACRO – MAXI – MESO – MICRO – MINI – MONO – MULTI – NEO – NEURO – PALEO – PARA – PERI – PLURI – POLI – PROTO – PSEUDO – PSICO – RETRO – SEMI – SOBRE – SUPRA – TELE – TETRA – TRI - ULTRA

EXCEÇÕES

3) PALAVRAS CUJO PREFIXO OU ELEMENTO ANTEPOSITIVO TERMINAR EM VOGAL E O SEGUNDO ELEMENTO COMEÇAR POR R OU QUE SE DUPLICAM. (Ex. antirreligioso, antissemita, infrassom, minissaia etc.).

4) SE COMEÇAR, PORÉM, COM VOGAL DIFERENTE, NÃO SE USA O HIFEN (Ex.  Aeroespacial, autoestrada, agroindustrial, hidroelétrico, coeducação, extraescolar etc.).
5) CO: QUANDO O SEGUNDO ELEMENTO COMEÇAR POR H, SUPRIME-SE ESTA LETRA (Ex. coabitar, coerdeiro etc.).
6) CO: PALAVRAS INICIADAS COM ESSE PREFIXO MESMO HAVENDO ENCONTRO DA VOGAL O NÃO SE USA O HIFEN. (Ex. coobrigado, coordenação etc.)

HIFEN COM OUTROS PREFIXOS E SUFIXOS

1) RE: SEGUIDO DE PALAVRAS INICIADAS POR: H
2) HIPER – INTER – NUPER – SUPER: SEGUIDOS DE PALAVRAS INICIADAS POR: H e R
3) AB – OB – SOB – SUB: SEGUIDOS DE PALAVRAS INICIADAS POR: B – H - R
4) AD: SEGUIDOS DE PALAVRAS INICIADAS POR: D - H - R
5) PAN CIRCUM: SEGUIDOS DE PALAVRAS INICIADAS POR QUALQUER VOGAL, H – M – N
6) ALÉM – AQUÉM – EX – PARA – RECÉM – SEM – SOTA – SOTO – VICE: SEMPRE COM HIFEN
7) PÓS – PRÉ – PRÓ: SEGUIDOS DE QUALQUER PALAVRA DESDE QUE CONSERVE AUTONOMIA VOCABULAR
8) SUFIXOS TUPI-GUARANI: EMPREGA-SE O HIFEN QUANDO O PRIMEIRO ELEMENTO TERMINAR EM VOGAL ACENTUADA GRAFICAMENTE OU QUANDO A PRONÚNCIA EXIGIR A DISTINÇÃO GRÁFICA DOS DOIS ELEMENTOS. (EX. capim-açu, anajá-mirim etc.).
9) EURO – INDO – SINO – FRANCO – ANGLO – LUSO – AFRO ETC: QUANDO SE TRATAR DA SOMA DE DUAS OU MAIS IDENTIDADES. (EX. euro-africano, anglo-americano, indo-português etc.).

OBSERVAÇÃO: SE, PORÉM, ESSES ELEMENTOS FUNCIONAREM ADJETIVAMENTE COMO ELEMENTO MÓRFICO, ENTÃO, NÃO SE USARÁ O HIFEN: (EX. eurocomunismo, francofonia, sinofilia, lusofilia)

OUTRAS REGRAS

1) O ALFABETO PORTUGUÊS INCORPOROU AS LETRAS: K, W, Y usadas em: 1.1) Nomes próprios e seus derivados (Ex. Kafka, kafkiano, Kuwait, kuwaitiano, Washington, da mesma forma são aceitas combinações que não cabem em português, tais como: Shakespeare etc.). 1.2) Nos símbolos e unidades de medida: K (potássio), kg (quilo já consagrado).
2) TERMINAÇÕES EM: EANO e EENSE SE TORNARAM IANO e IENSE: (Ex. acriano, torriense. – Exceção: guineense)
3) O TREMA DESAPARECE DO IDIOMA PORTUGUÊS, MANTENDO-O APENAS EM PALAVRAS ESTRANGEIRAS E DERIVADAS (Ex. Führer, Müller etc.) 
4) CIRCUNFLEXO: DESAPARECE NAS PAROXÍTONAS TERMINADAS EM: OO, EEM (Ex. VOO, ENJOO, VEEM, LEEM ETC.)
5) ACENTO DIFERENCIAL: DESAPARECE NAS HOMÓGRAFAS HOMÓFONAS (EX. PARA, PELO, POLO PERA (EXCEÇÃO: PÔR E PÔDE. FACULTATIVO: FÔRMA OU FORMA)
6) DITONGOS ABERTOS EI, OI e EU: Desaparece nas PAROXÍTONAS (Ex. assembleia, ideia, heroico, estoico), continuam, porém, nas OXÍTONAS: (herói, dói, anéis, escarcéu etc.)
7)
ACENTO AGUDO NAS LETRAS I e U: DESAPARECE NAS PAROXÍTONAS QUANDO FORMAREM DITONGOS (Ex. feiura, bocaiuva sauipe, baiuca etc.) 
8) ACENTO AGUDO: DESAPARECE EM ALGUNS VERBOS (Ex. Averigue, apazigue, argui etc.)
9) NOMES PRÓPRIOS DE TRADIÇÃO BÍBLICA QUE TERMINEM EM: -Ch, -Ph, -Th devem ser simplificados (Ex. Joseph - José; Beth - Bete; Baruch - Baruc; Loth - Lot; etc.)
10) NOMES DE PAÍSES E CIDADES em outras línguas devem ser grafados, sempre que possível, em sua forma correspondente em português: (Ex. Nova Iorque, Zurique, Quebeque etc.).

EMPREGO DA VÍRGULA

01) Entre vários sujeitos: Pedro, José, João foram embora
02) Entre vários objetos: Ana disse que eu fosse, que batesse, que entrasse
03) Entre orações assindéticas: Antônio vive, Pedro vegeta
04) Ênfase às orações sindéticas: Ele fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto há neles
05) Após nome de logradouro público: Rua Vinte, 50
06) Para separar nas datas o nome da localidade: S. Paulo, 25/08/2010
07) Para separar os elementos paralelos de uma expressão proverbial: a pai muito ganhador, filho muito gastador
08) Antes e depois das orações subordinadas adjetivas explicativas: o leão, que ruge, vive nas savanas
09) Para marcar pausa no fim da subordinada adjetiva restritiva, quando esta é constituída por dizeres muito longos: as famílias que se estabeleceram nas encostas meridionais das longínquas serranias chamadas pelos antigos Montes Marianos, conservaram por muito mais tempo os hábitos...
10) Para evitar ambiguidade na sínquise ou deslocação violenta dos complementos: a grita se levanta ao céu, da gente ( a grita da gente se levanta ...)
11) para indicar o zeugma do verbo: os valorosos levam as feridas, e os venturosos, os prêmios
12) Para separa certas conjunções pospositivas, tais como, porém, contudo, pois, todavia: vens, pois, anunciar-me uma ventura? Naquele dia, porém, as lanças...
13) Para dar ênfase a certas conjunções, advérbios e locuções adverbiais: alguém, talvez, queira... Mas, apesar disso, não cederei!
14) Depois de Sim ou Não, colocados no princípio da sentença: Sim, quero; Não, porque já foi!
15) Depois de Assim, Então, Demais e de outros advérbios e locuções adverbiais empregados em princípios de sentenças, com sentido de conjunção: Então, iremos hoje? Assim, espero por você!
16) Para separar certas locuções explanatórias, tais como, isto é, por exemplo, a meu ver, além disso, a saber etc. Porei todavia aqui mais um exemplo, isto é, acrescentarei mais uma prova.
17) O vocativo vem sempre acompanhado de vírgula: alunos, recordem as correções; recordem, alunos, as correções; recordem as correções, alunos!
18) Pode a vírgula ser empregada, enfaticamente, em lugar do verbo Ser em orações de fácil compreensão: Estes, os maiores perigos.
19) Para separar complementos de verbos diferentes: maduram laranjas, e esbeltos coqueiros balouçam as suas graciosas umbelas. Sentença de morte para Tiradentes, e para os outros a pena de desterro. A Infância sabe só que vive, e ri.
20) Quando há parêntese em lugar onde já haja vírgula, esta se coloca depois de fechado o parêntese: Estava Maria em sua casa (nenhum prazer sentia fora dela), quando ouviu baterem...

USO DA CRASE

Como sabemos, crase é a contração da preposição A com o artigo A: (à, às; àquele(s), àquela(s), àquilo).
1) É condição essencial que a crase venha antes de palavra feminina;
2) É necessária que a palavra dependa de outra que exija a preposição A;
3) É necessário que a palavra admita o artigo feminino A: Ele foi a Roma (Roma não admite o artigo A). Mas, se dissermos, refiro-me à Roma de Júlio César, aí, sim, podemos crasear. Ex. A Roma de Júlio César é eterna e o verbo Referir pede preposição (quem se refere, refere-se a alguma coisa).

REGRAS PRÁTICAS PARA O USO DA CRASE

1) Emprega-se a crase sempre que, substituindo-se o vocábulo feminino por um masculino, aparece a combinação ´´ao´´ antes do nome masculino. Exemplo: eu vou à cidade; substituindo cidade por teatro, fica: eu vou ao teatro. Logo, eu vou à cidade, com crase.
2) Craseia-se o A de uma frase quando pode ser substituído por: PARA A, NA, PELA, COM A, ou, conforme o caso, por qualquer preposição acompanhado do artigo A. Exemplos: às portas da morte (estou nas portas da morte); Às três horas da tarde (pelas três horas da tarde);
3) Tratando-se de aquele (s), aquela(s), aquilo, basta que haja a preposição A antes dessas palavras para que ocorra a crase. (Dei um lápis àquela menina, refiro-me àquilo, recorri àquele homem).
4) Vestir-se à Luís XV (a palavra moda está subtendida); Dirigi-me à Gustavo Barroso (à fragata Gustavo Barroso).
Atenção: o A (no singular) seguido de palavra no feminino plural é mera preposição.

a) Há palavras como Casa (na acepção de residência, moradia) e Terra (na acepção de chão firme, empregada para contrastar com o elemento movediço do mar) que não aceitam crase. Vim de casa, vou para casa. Se, porém, a palavra casa vier seguida de uma especificação qualquer, aí, sim! Exemplos: Fui à Casa Anglo-Brasileira; dirigi-me à casa de Pedro; estive na Casa da Moeda. Quanto à palavra terra, temos: Estive em terra; iremos por terra.
b) Crase antes de nomes próprios femininos obedece à possibilidade ou não do artigo: se empregamos o artigo para pessoas de nossa amizade, parentesco ou política, empregamos o artigo A (entregue o documento à Chiquinha). Se, porem, tratar-se de pessoas ilustres, célebres, não íntimas, aí, não! Ana Bolena, Joana D´Arc.
c) Europa, África, Ásia, Espanha, França, Inglaterra, Holanda não exigem obrigatoriamente o artigo, daí, dizermos: meter lanças em África; vir de França; estar em Holanda.
d) Os pronomes de tratamento não aceitam o artigo.

e) Por fim, expressões como: obediência a, relativo a, com respeito a, devido a, referente a, quanto a (e outras semelhantes) devem ter o A craseado quando vêm antes de nomes femininos determinados pelo artigo A. Exemplos: obediência às leis; devido às dificuldades; com respeito à situação; quanto à natureza; referente à prisão etc.

POR QUE - POR QUÊ - PORQUE - PORQUÊ

1) POR QUE (sem acento) Advérbio interrogativo:
I) DIRETO: Por que não me pediu licença?
II) INDIRETO: Gostaria de saber por que não me pediu licença!
2) POR QUÊ: quando insulado ou no final do período: você não vai, por quê?
3) POR QUE (por: preposição e que: pronome relativo). Exemplo: a razão por que assim procedi; o caminho por que devo passar (nestes casos, o que pode ser substituído por o qual, os quais).

4) PORQUE: Conjunção explicativa (pois, porquanto, que). Exemplo: entre, p. já é tarde. E conjunção causal (visto que, já que). Exemplo: a juventude às vezes erra p. é muito ansiosa)
5) PORQUÊ (acentuado) quando substantivado ou no final de período: O porquê das coisas ninguém sabe. Proclamaram Sólon (eu mesmo) uma insignificância – e ninguém dizia o porquê!

MAL, BEM, MAU, BOM

1. MAL advérbio, oposto de BEM (ex. malfeito e bem-feito); 2) MAU adjetivo, oposto de BOM (ex. mau ou bom caráter) 3) MAL substantivo (ex. o Mal). 

PLURAL DOS ADJETIVOS COMPOSTOS

Nos adjetivos compostos, só o último elemento se pluraliza: luso-brasileiro, luso-brasileiros, médico-cirúrgico, médico-cirúrgicos. Exceção: surdo-mudo, surdos-mudos

ADJETIVOS COMPOSTOS DESIGNATIVOS DE CORES

1) Só varia o segundo elemento, quando realmente constituídos de adjetivos: fitas verde-amarelas, chapéus azul-claros
2) Nenhum elemento varia quando um deles for substantivo: blusas violeta-escuro, rosa-claro, azul-turqueza, branco-marfim.
Nota: Ainda que venha só o Nome de coisa ou de animal, este permanece invariável: chapéu rosa, papéis marfim.
3) Não há variação nenhuma quando ocorre a preposição de ou as locuções cor de, da cor de, de cor: olhos de verde-mar, cor de safira, da cor do prado, fitas de cor azul.
Notas: 1) raios ultravioleta e não ultravioletas, pois a cor aí designada é nome de planta; diz-se raios infravermelhos, pois vermelho é legítimo adjetivo.
2) adjetivos compostos como Greco-turco, hispano-suiço, fino-russo, franco-brasileiro, nipo-sino-russo etc. O primeiro elemento obedece à forma de origem erudita.

PLURAL DOS SUBSTANTIVOS COMPOSTOS

I) Variam os dois elementos, quando ambos forem variáveis
II) Só varia o segundo elemento, quando apenas ele for variável
III) Não varia nenhum deles, quando nenhum deles for variável
a) Ambos elementos variáveis e separados por hífen: couves-flores, vagões-tanques
b) Varia apenas o último elemento, quando o primeiro for invariável ou apocopado ou justaposto: guarda-chuvas (guarda é verbo), montepios (justaposto), aguardentes (apocopado)
c) Os compostos que têm o último elemento constituído por verbo flexionam-se a exemplo de bentevi: luze-luzes, vaivéns, malmequeres, corre-corres, ruge-ruges, fogo-apagous etc. exceções: ganha-perde, leva-traz, (os ganha-perde, os leva-traz)
d) A semelhança do exemplo acima, também os substantivos compostos de palavras repetidas só flexiona o segundo elemento: lufalufas, lengalengas, zunzuns etc.
e) Só varia o segundo elemento de certos compostos de cunho estrangeiro: glória-patris, padre-nossos, salvo-condutos etc.
f) Não varia nenhum dos elementos quando forem ambos invariáveis ou quando o último já estiver no plural: quebra-nozes, bota-fora (dois quebra-nozes, dois bota-fora)
g) Só o primeiro elemento irá para o plural quando estiver unido ao segundo pela preposição de: chefes-de-seção, olhos-de-cabra, pães-de-ló.
Nota: tais compostos, alguns há em que o segundo elemento já está no plural: mestre-de-obras, mestres-de-obras.

PRONOME RELATIVO CUJO, CUJA - REGRAS BÁSICAS

1) Possuir antecedente e consequente diferentes
2) Poder converter-se em do qual, dos quais, da qual, das quais
3) indicar posse
I) Cujo exige antes de si preposição, quando o verbo que se lhe seguir assim o exigir. Exemplos: o homem em cuja casa estive; nosso chefe, a cujas ordens obedecemos. Note que os verbos: estar e obedecer exige preposição.
II) Jamais devemos colocar artigo depois do relativo cujo. Não devemos dizer: a casa cuja a porta... etc.
Observações: I) O pronome relativo Cujo (a) cujos (as) jamais pode ligar dois termos idênticos. Errado dizer: o homem cujo homem eu vi!
II) Cujo sempre indica posse, e pode ser desdobrado em um complemento que também indique posse.
Exemplos: Devemos socorrer João, cuja casa se incendiou (a casa do qual); a mala, cuja chave se perdeu (a chave da qual). Note que o termo antecedente (antes de cujo) é sempre o possuidor, enquanto o termo consequente (depois de cujo) é a coisa possuída. Nota: a vírgula deve anteceder cujo (a).

PRONOME SE E SUAS FUNÇÕES

1) Reflexibilidade: o sujeito se torna ao mesmo tempo agente e recipiente da ação verbal. O se, nesse caso, tem função acusativa, isto é, de objeto direto. Com tal função, o se é empregado com os verbos transitivos diretos.
Exemplos: ele se feriu. Neste exemplo, tanto o verbo quando o se são reflexivos. Outro exemplo (que é uma variante com valor reflexivo): Ele se arroga o direito... (Ele arroga para si o direito...).
2) Reciprocidade: Eles se cumprimentaram. O verbo e o pronome se dizem recíprocos.
3) Passividade: O pronome se pode indicar passividade quando o sujeito é ente inanimado ou quando o sentido da oração mostrar que o sujeito é apenas paciente.
Exemplos: Alugam-se casas. Neste exemplo, casa não pratica a ação de alugar, mas, sim, recebe, sofre tal ação (casas é o paciente da ação verbal).
4) Impessoalidade: A indeterminação do sujeito (impessoalidade) é empregada com verbos Intransitivos e Transitivos Indiretos, ficando esses verbos sempre no singular.
Exemplos: No Rio de Janeiro passeia-se muito; quanto mais se sobe, mais se desce (verbos intransitivos). Precisa-se de costureiras; trata-se de caso incurável; entretanto, procedeu-se ao inventário dos objetos (verbos transitivos indiretos).
5) Há casos em que ocorrem a impessoalidade com verbos transitivos diretos, porém as seguintes condições são necessárias: I) que a expressão tenha sentido próprio, diferente da construção passiva; II) que o objeto indireto seja constituído de pessoa. Exemplos: Louva-se aos juízes; previne-se às pessoas presentes. Nessas construções, juízes e pessoas presentes são objetos indiretos, e não sujeitos. Se essas palavras viessem sem a preposição, elas forçosamente passariam a funcionar como sujeitos, tornando-se imperiosa a concordância do verbo (louvam-se os juízes etc.).
A ideia de passividade pode também ser expressa com os verbos auxiliares ser e estar e o particípio de certos verbos ativos. Exemplos: sou visto (por alguém), fui ou estou preso (por alguém).
Na realidade, não é muito fácil o emprego do pronome SE. Somente a prática pode alicerçar o conhecimento das regras do idioma pátrio.

Complemento nominal e Adjunto adnominal

1) O complemento nominal é termo integrante, é essencial, pertence intrinsecamente ao nome. Ele complementa o sentido de um substantivo, de um adjetivo ou de um advérbio. Há substantivos, adjetivos e advérbios que não têm significação absoluta, necessitando, para que sua significação se complete, de um complemento que lhes inteire a significação. Exemplos: obediência às autoridades; desejoso da vitória; contrariamente a todos. (às autoridades, da vitória e a todos são complementos nominais). Veja que ele é essencial, pois completa o sentido dos termos: obediência, desejoso e contrariamente.
2) O adjunto adnominal é termo acessório, não é exigido para que se complete o significado do nome. Ele pode ser uma palavra ou grupo de palavras em relação sintática com um nome. Pode ser expresso por: artigo, pronome adjetivo, adjetivo, locução adjetiva, oração adjetiva, numeral.
O adjunto adnominal é termo acessório da oração, uma vez que não é indispensável ao entendimento do enunciado. É o complemento do substantivo a ele preso, a ele adjunto, sem verbo nenhum de permeio. Exemplos:
a) Este moço ganhou brilhante vitória; Este (adjunto adnominal de moço); brilhante (adjunto adnominal de vitória) etc.
b) os meninos comportados (sujeito) são estudiosos (predicado nominal) (os e Comportados são adjuntos adnominais de meninos; são (verbo de ligação); estudiosos (predicativo do sujeito).

Exemplo de Complemento e Adjunto nominais

Em: obediência dos cidadãos às leis, nós temos um exemplo de ambos os complementos (adjunto e complemento nominais): dos cidadãos (adjunto adnominal, termo acessório); às leis (complemento nominal, termo integrante).

PREPOSIÇÃO

Preposição é uma palavra invariável que tem por função ligar o complemento à palavra completada, ou dito de outra forma, palavra que liga dois termos estabelecendo relação de sentido entre eles. Os termos denominam-se antecedente (que vem antes da preposição) e consequente (o que vem depois). O antecedente é o termo regente (que rege, que tem outro debaixo de sua dependência) e o consequente, o termo regido, subordinado. As preposições juntamente com o consequente constituem o complemento do termo regente. Exemplos: casa de Pedro (casa = antecedente; de = preposição; Pedro = consequente; de Pedro = complemento do antecedente).
Em muitos casos, o antecedente deixa de preceder a preposição. Exemplo: sobre isso não quero falar. (A preposição sobre deixou de vir entre falar (antecedente) e isso (consequente).
Mais raramente, o consequente deixa de vir logo depois da preposição (fiz isso pensando em, dado o que ele disse, aliviar a situação de angústia em que se encontrava). O termo aliviar não veio logo depois da preposição em, da qual é consequente.
Preposições essenciais são as que só desempenham essa função. Exemplos: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Preposições acidentais consideram-se as palavras de outras classes, eventualmente empregadas como preposições. Exemplos: conforme, consoante, durante, exceto, mediante, menos, salvante, salvo, segundo, tirante.
Nota: as preposições não têm significação intrínseca, própria, mas relativa, dependente do verbo com que são empregadas. Exemplo: Ele é de Formosa do Rio Preto (de = preposição de procedência, que indica procedência).
Evitar alguns galicismos, tais como: falar ao telefone, em lugar de falar no telefone; tocar ao piano, em vez de tocar no piano; equação a duas incógnitas, em vez de equação de duas incógnitas; nada tenho a fazer, em lugar de nada tenho por fazer; há muitos pontos a esclarecer, em lugar de há muitos pontos para esclarecer.
Locuções Prepositivas: há preposições que se apresentam sob a forma de locuções: além de, antes de, aquém de, até a, dentro em, dentro de, depois de, fora de, ao modo de, à maneira de, na conformidade de, junto de, junto a, devido a, ao través de, a par de etc.
Combinação: as preposições podem se combinar com os artigos. Exemplos: A + o(s) = ao(s); DE + o(s) ou a(s) = do(s) da(s); DE + mais demonstrativos. Exemplos: deste(s), desta(s), desse(s), dessa(s) disso; daquele(s), daquela(s), daquilo. DE + pronome pessoal: dele(s), dela(s). DE + advérbios: daqui, daí, dali, donde. EM + artigo. Exemplos: no(s), na(s), num, numa, nuns, numas. Em + demonstrativos: neste(s), nesta(s), nessa(s), nessa(s), nisto, naquele(s), naquela(s), naquilo. EM + pronome pessoal: nele(s), nela(s). EM + pronome indefinido: noutro(s), noutra(s), nalgum. PER + artigo: pelo(s), pela(s). Aí a preposição se transforma em Pelo(a).
Preposição e infinitivo: Não saia sem mim, não vá sem mim. Se, porém, nessas orações, vier um infinitivo depois do pronome, já não será permitido o emprego do pronome oblíquo, impondo-se, então, a forma do pronome do caso reto: não saia sem eu ver; não vá sem eu mandar; isso depende de eu estar presente. Nestes casos, a preposição está regendo o infinitivo e não o pronome pessoal; este exerce, nestas frases, função de sujeito do infinitivo e não, como nas orações anteriores, de regime da preposição.

solonsantos@yahoo.com.br – notassocialistas.com.br - Ligeiras notas a partir de consulta à Gramática Metódica da Língua Portuguesa (Napoleão Mendes de Almeida) e ao Dicionário Houaiss (4a Ed. Ano 2012).