A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

 

A educadora Emília Ferreiro toma como ponto de partida as teorias de Jean Piaget, psicólogo e pedagogo suíço (1896-1980), para concluir que a criança levanta hipóteses acerca da escrita e constrói seu conhecimento em quatro fases:

 

1. pré-silábica: a escrita não tem relação com a emissão da fala (a palavra boi, por exemplo, não é percebida como “pequena” pela criança que pode graficamente representá-la com vários rabiscos);

 

2. silábica: a criança descobre a relação fonema-grafema (mas a sílaba “ba’’, por exemplo, será lida por ela apenas como ‘‘a’’);

 

3. alfabética: a criança  começa a colocar as primeiras sílabas, formando o ‘’‘par’’;

 

4. ortográfica: a criança vai finalmente em busca das regras do sistema.      

 

Emília é o ponto de partida da orientação socioconstrutivista, que mescla ainda as linhas básicas do pensamento de conhecidos teóricos que defendem uma visão integrada do desenvolvimento humano, como Piaget e o russo Liev Semionovitch Vigotsky (1896-1934), que atuou mais na área da psicologia, filologia e neurologia.

 

Piaget interessava-se em saber como o organismo se adapta ao meio. Ele concluiu que a criança possui uma lógica de funcionamento mental que difere qualitativamente da do adulto e se propôs a investigar por meio de quais mecanismos essa lógica infantil se transforma.

 

Para Piaget, o desenvolvimento é um processo contínuo de trocas entre o organismo vivo e o ambiente, no qual a noção de equilíbrio é o alicerce da teoria. Emília Ferreiro demonstrará, depois, que a criança, toda vez que desconhece um fato (desequilíbrio), tentará dar um salto e superar a defasagem (volta ao equilíbrio).

 

Vigotsky, por sua vez, avaliou que o pensamento é construído paulatinamente num ambiente que é histórico e social. O processo do pensamento é, portanto, despertado pela vida social e pela constante comunicação entre as pessoas, permitindo a assimilação da experiência de muitas gerações.

 

Tanto Piaget como vigotsky imaginam a criança como um ser atento, que cria hipóteses sobre seu ambiente. Mas, enquanto Piaget enfatiza a maturação biológica, Vigotsky tem sua atenção voltada para o ambiente social.

 

Piaget apregoa que o desenvolvimento segue uma sequencia de estágios.

 

Vigotsky, ao salientar o ambiente social em que a criança nasceu, reconhece que, ao variar o ambiente, o desenvolvimento também variará.

 

Piaget acredita que os conhecimentos são elaborados espontaneamente pela criança, de acordo com seu estágio de desenvolvimento. A visão peculiar (egocêntrica) que as crianças têm sobre o mundo vai, progressivamente, aproximando-se da concepção dos adultos: torna-se socializada, objetiva.

 

Vigotsky discorda de que a construção do conhecimento proceda do individual para o social: a criança, para ele, desde o nascimento, vai formando uma visão desse mundo pela interação com os adultos. Dessa forma, procede-se do social para o individual.

 

Piaget acredita que a aprendizagem se subordina ao desenvolvimento. Com isso, minimiza o papel da interação social. Vigotsky, ao contrário, avalia que desenvolvimento e aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente.

 

Segundo Piaget, o pensamento aparece antes da linguagem, que apenas é uma de suas formas de expressão (a formação do pensamento depende da coordenação dos esquemas sensórios-motores e não da linguagem). Essa só pode ocorrer depois que a criança atingiu determinado nível de habilidades mentais, subordinando-se aos processos de pensamento.

 

Vigotsky diz que pensamento e linguagem são processos interdependentes. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais: dá uma forma definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o uso de memória e o planejamento da ação. Para ele, a linguagem sistematiza a experiência das crianças e por isso adquire função central no desenvolvimento cognitivo.

 

 

solonsantos@yahoo.com.br - notassocialistas.com.br - a partir de artigo de jornal – autor I.W.C.